Mademoiselle Zaira -

    Mario Vicente

    Integração
    2015
    192 páginas
    6h 24m
    ISBN-13: 9788561806125
    Português Brasileiro

    Um feto conta, a partir de uma carta anônima, o drama da mãe que, aos 15 anos, vê-se aprisionada num convento da capital, um mês após ser deflorada violentamente. Romance baseado em uma nota de jornal, o autor cria uma narrativa densa, envolvente e instigante, permeada de suspense, mas sem perder a sensibilidade ao retratar o drama de uma adolescente nos Anos Dourados. Abandono, tristeza, decepção e perigos marcam a trajetória de mãe e filho, tragicamente separados ainda na maternidade. Até onde iria uma mãe, desenganada pelo próprio pai, para reencontrar o filho? Mademoiselle Zaira, fala de temas difíceis e profundos: violência sexual, abandono, rejeição, vingança, preconceito, fidelidade, amor...

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    Rosimeire Ramos10/02/2016Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Leitura de impacto...

    O livro conta a estória de Zaíra, uma jovem garota, presa as convenções e a opressão vinda de um modelo social machista e patriarcal. Essa garota luta durante toda sua vida para conseguir ter o direito de viver sua existência de forma plena e desprendida do julgo que a sociedade autoritária lhe impõe. Zaíra é uma menina de família rica que tem um pai prepotente e machista, que esconde grandes segredos e mascara aos olhos da sociedade uma visão convencionada de respeito. Essa adolescente é violentada em uma baile de carnaval aos 15 anos, por um homem misterioso. É dopada nesta festa e como consequência desse ato, engravida e é mandada sem remorsos pelo pai para ter o filho em um convento, de modo a esconder seu “pecado” dos olhos alheios, e não conspurcar o a honra e o nome da família. A partir daí, se inicia a narrativa um tanto quanto inusitada feita num primeiro momento pelo seu filho, ainda um feto em seu útero, ele conta com detalhes o que se passa nesta vida interligada entre mãe e filho. Zaíra, vive todo esse processo de gestação sob forte pressão emocional, o que acaba por leva-la a tentar o suicídio, buscando com isso terminar seu martírio e de seu filho. Isso não se dá felizmente e o menino nasce pra ser imediatamente arrancado de sua mãe, que acredita neste interim, que seu filho morreu no parto. Fica evidente que o autor quis com esse tipo de narrativa intrauterina, mostrar o grande vínculo que existe entre mãe e filho no período gestacional e como as sensações compartilhadas são fatos que iniciam a personificação da vidas destes ao longo da trama. Ainda no convento Zaíra começa a receber cartas anônimas de um psicopata, que a atormenta ao longo de toda a trama chantageando com os segredos e mistérios familiares guardados a sete chaves, causando medo e dificultando a vida dela e de sua família. As cartas vão sendo enviadas ao longo da trama e revelando fatos e acontecimentos que estão interligados a vida de Zaíra e que vão trazendo a tona a carga emocional e o cunho psicológico que o enredo propõe. Após o parto, Zaíra volta para casa e de novo fica sob o julgo do pai que lhe arranja um casamento com um malfadado fanfarrão de pretensa “boa família” buscando assim, dirimir o ocorrido. A trama vai se expandindo e mostrando todo o cenário tortuoso que a mulher daquela época tinha pra si. Todo o julgo, sofrimento, traições e preconceitos vividos. Zaira se mostra uma grande mulher, que vai amadurecendo e buscando seu eu, sua personalidade no decorrer do livro. Ela passa por muitas situações e indecisões, desilusões, tristezas, perdas, encontros e desencontros. Um outro personagem da trama tem um papel preponderante na estruturação da personalidade de Zaíra, seu nome é Marlon, seu amor desde a juventude, aquele que sempre foi importante na vida dela, quem sempre que colocou cima e deu o apoio nos piores momentos de forma que ela pudesse seguir adiante, pra mim, ele simboliza a força motriz que ajudou Zaíra a se libertar dos grilhões e buscar sua felicidade acima das convenções sociais. Foi ele quem a acompanhou na busca pelo filho e a apoiou quando lhe faltavam forças, ele sempre estava lá disposto a não deixa-la desistir, e com isso ela conseguiu reencontrar o filho. Marlon e a personificação do amor desprendido de interesses, do amar por simbiose, do companheiro perfeito em sua imperfeição. O livro é um retrato primoroso de uma sociedade decadente e preconceituosa, que vive de aparências e sem competências de fugir do estereótipo que lhe é auto imposto. Zaíra, Marlon e Pierre são os contrapontos, os desmistificadores, que vem pra romper esse paradigma. Não é uma tarefa fácil, mas o autor constrói essa ruptura de forma magistral e verdadeira. Super indico o livro pra aqueles que pretendem ver além dos panótipos, além da realidade impositiva, que conseguem enxergar que mesmo com toda a dificuldade existente o bem prevalece ao final, de uma forma ou outra. Que acredita em sentimentos verdadeiros e que perduram ao longo de toda uma vida, mesmo que tudo trabalhe ao contrário.

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