Não precisamos dizer muito a respeito de Agostinho. De modo especial essa obra intitulada "A doutrina cristã", que é basicamente um manual de exegese bíblica, consegue ir além do que se propõe. Para os tempos de hoje talvez soe um tanto anacrônico, por isso a necessidade de uma compreensão histórica para o leitor.
Contudo gostei muito dos passos dados pelo doutor. A princípio, no livro um, vemos uma análise geral da doutrina católico, pois afinal, quando lemos a Bíblia, a devemos ler segundo os olhos da nossa fé, daí a necessidade de uma síntese dogmática, moral e princípios básicos.
Depois, no segundo livro, recordando um pouco o que é lido no livro do De Magistro (do Mestre), o doutor nos leva a uma análise dos sinais e dos signos que nos ajudam na interpretação dos textos sagrados e como as ciências de modo geral nos ajudam a compreensão interpretativa.
No terceiro livro ele destaca as dificuldades com as quais nos deparamos na leitura da bíblia, como ambiguidade e passagens obscuras. Destaco o que ele nos diz sobre os momentos em que devemos aplicar uma análise literal ou alegórico: todas as vezes que um texto não puder ser entendido literalmente (exemplo a arca de Noé, ou a torre de Babel) devemos nos valer do sentido figurado; nem sempre devemos interpretar certas passagens ao pé da letra.
O último livro é uma espécie de manual de oratória para pregadores sacros. Sobre o uso da sabedoria e da eloquência, na impossibilidade de ser eloquente, que o pregador seja sábio. Destaca os três objetivos do orador: instruir, agradar e convencer; para isso devemos aplicar os estilos de escrita: simples, temperado e sublime. Em cada um dos objetivos devemos saber empregar os três estilos.