Cordel sobre Zé Baiano, cangaceiro do bando de Lampião, conhecido pela história sobre a traição da companheira e, principalmente, pela terrível disposição como ferrador (por ter marcado com ferro em brasas o rosto de algumas mulheres com as iniciais do nome).
O cordel tem poucas páginas, se presta à literatura informativa, sem rodeios e sem história bonita também.
Conta o seguinte:
A cangaceira Lídia foi flagrada no mato dando para outro (termos usados no cordel) e o sujeito que viu fez chantagem para que desse também para ele. A mulher era briosa, não aceitou, o cagueta contou então para Zé Baiano e acabou se dando mal pela questão da chantagem revelada. Quanto à jovem, foi covardemente assassinada à cacetadas. O outro cangaceiro, conhecido como Bem-te-vi, embrenhou-se no mato e conseguiu se safar.
Na referência de ferrador, o cordel foi pobre na exposição dos fatos e motivações, dando a entender trauma de traído. Oras! isso não teve relação com frustrada história de amor coisíssima nenhuma! Essencialmente, era ruindade do cabra mesmo.
Citando uma curiosidade mórbida fora da obra, há uma triste ironia na disposição de ferrador de Zé Baiano. Expôs algumas mulheres a visão deformada do rosto e o seu acabou sendo a imagem mais terrível de todas pois, depois de ter sido morto, teve o corpo desenterrado, com a cabeça decepada e registrada em uma foto medonha, estilo Walking Dead, em putrefação e sem os dentes de ouro da frente.
Não gostei, mas serviu para conhecer um pouco mais sobre vidas e sinas no cangaço.