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    Sonhos Elétricos -

    Philip K. Dick

    Aleph
    2018
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-13: 9788576573975
    Português Brasileiro
    4.2
    1487 avaliações
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    Favoritos67Desejados2891Avaliaram1487

    Philip K. Dick foi um dos maiores nomes da ficção científica em todo o mundo e encabeça, também, a lista dos autores do gênero mais roteirizados em Hollywood. Os dez contos de sua autoria reunidos nesta edição foram adaptados para a série televisiva britânica Electric Dreams, uma antologia de histórias futurísticas que, ao mesmo tempo, ilustram a visão profética de Dick e celebram o eterno apelo midiático de sua obra. Seguindo o que a literatura de Dick tem de melhor, os contos de "Sonhos elétricos" apresentam cenários familiares, mas ao mesmo tempo estranhamente distorcidos, e têm o poder de questionar a realidade e tirar o leitor de sua zona de conforto.

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    Nimrod Serrano24/12/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Histórias empolgantes e uma análise da natureza humana

    "Sonhos elétricos" é uma reunião dos contos que foram adaptados na série "Philip K. Dick's Eletric Dreams", estreada em setembro de 2017. Os editores aproveitaram o hype da série e lançaram pouco tempo depois essa coletânea de contos, com o "roteiro original". Embora mais famoso por seus romances, a exemplo de "Andróides sonham com ovelhas elétricas" ou "O homem do castelo alto", Philip K. Dick escreveu muitos contos, mais de 100. Em "Sonhos elétricos" estão reunidos 10 deles. A leitura é agradável, mas sem abrir mão de um estilo reflexivo, proporcionando para o leitor um misto de diversão e questionamentos. Cada um desses 10 contos possui uma pequena introdução do diretor que o adaptou, o que torna esse livro ideal para ser lido ao mesmo tempo que se assiste a série! Philip K. Dick tinha uma visão muito peculiar da humanidade e da evolução tecnológica. É bem comum nas histórias do autor a tecnologia criar mais problemas para a humanidade que propriamente facilitar a vida da mesma, é como se ela fosse uma arma a mais no arsenal. A temática dos contos é bem variada: cenário futurista, sociedade distópica, invasão alienígena, realidade alternativa, mundo pós-apocalíptico e até suspense. Em meio a temas tão empolgantes, PKD aproveita a situação para impor ironias e críticas ao ser humano, como por exemplo, o desleixo que temos com o meio ambiente ou como uma guerra afeta a vida das pessoas. Acredito que esse estilo seja recorrente em suas obras (até agora só li este livro). Falarei um pouco sobre 3 contos - bem distintos entre si - que me chamaram a atenção: "Peça de exposição" é o conto que abre a coletânea. Fala de um homem excêntrico que vive no futuro mas aprecia a sociedade de antigamente, suas roupas e suas maneiras são de um homem de uma época muito anterior. Ele cria uma peça de esposição que retrata justamente esse período que ele é tão fascinado, mas ele acaba descobrindo que essa peça de exposição é um portal para uma realidade alternativa. A moral desse conto é que fugir da realidade não vai fazer desaparecer os nossos problemas, pelo contrário, eles vão se agravar. O conto "Autofab", fala de uma fábrica subterrânea que vem destruindo a Terra e um grupo de pesssoas que está tentando desativá-la. Não se trata necessariamente de uma rebelião de máquinas, visto que as funções da fábrica foram programadas (por pessoa extremamente responsáveis) e ela apenas cumpre o que lhe foi designado. O conto mostra como o ser humano vive enfrentando as consequências das escolhas erradas que fez - ou seja, muitas. Por fim, em "Foster, você já morreu" os EUA estão em guerra com outros países, as cidades americanas constantemente sofrem bombardeios, e para contornar essa situação foram criados "abrigos". Esses "abrigos" constituem basicamente numa casa subterrânea à prova de bombas. É nesse cenário que vive Foster, um garoto de família pobre, que não tem condições para comprar um abrigo. Por esse motivo Foster é mal visto no colégio, sofre dentro e fora dele. O título do conto não é mero acaso, Foster é considerado um morto, sem esperanças de continuar vivendo, sem sonhos, nada! Isso reflete o patamar que pessoas pobres são colocadas em um cenário não só de guerra, como em tempos de "paz". O conto também mostra a picaretagem do mercado, que vive de artimanhas e fraudes para lucrar em cima do povo. Concluindo, "Sonhos elétricos" é uma leitura que eu recomendo, por serem contos diversificados, de leitura sagaz, rápida e acessível até para os que leram pouco do gênero ficção científica.

    33 curtidas

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    Avaliações

    4.2 / 1487
    • 5 estrelas27%
    • 4 estrelas50%
    • 3 estrelas20%
    • 2 estrelas2%
    • 1 estrelas0%
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    Philip Kindred Dick

    Philip Kindred Dick, também conhecido pelas iniciais PKD, foi um escritor americano de ficção científica que alterou profundamente este gênero literário. Apesar de ter tido pouco reconhecimento em vida, a adaptação de várias das suas novelas ao cinema acabou por tornar a sua obra conhecida de um vasto público, sendo aclamado tanto pelo público como pela crítica e tornando-se um ícone da contracultura. Sua obra é marcada por fantasmagóricas histórias de paranóia e primam pela originalidade. Explorou em muitas das suas histórias temas como a realidade e a humanidade, utilizando normalmente como personagens pessoas comuns e não heróis galácticos comumente associados a obras do gênero. Sua obra mais conhecida em vida foi <i>O Homem no Castelo Alto</i> (1961), vencedor do Prêmio Hugo de ficção científica. Apesar de ter tido pouco reconhecimento em vida, a adaptação de várias das suas novelas ao cinema acabou por tornar a sua obra conhecida de um vasto público, sendo aclamado tanto pelo público como pela crítica. Filho de um funcionário do governo federal, a sua irmã gémea morreu quase à nascença. Os seus pais divorciaram-se quando Philip contava quatro anos de idade. Acompanhou a mãe na sua mudança para a Califórnia, onde estudou, ingressando na Escola Secundária de Berkeley, onde permaneceu até 1945. Matriculou-se então na Universidade da Califórnia, onde estudou Filosofia e Alemão, abandonando o curso para trabalhar como disc-jockey numa emissora de rádio, mantendo, ao mesmo tempo, uma loja discográfica. Começou a escrever nesta época, publicando o seu primeiro conto de ficção científica na revista Planet Stories. Chegou a terminar alguns romances de índole autobiográfica, mas não conseguiu encontrar quem os editasse. Decidiu portanto dedicar-se inteiramente à ficção científica, convicto de que este género poderia melhor abarcar as suas especulações filosóficas. A sua primeira obra publicada foi Solar Lottery de 1955. A ação da obra decorria no século XXIII, num tempo em que a democracia como forma de eleição foi substituída por uma sistema de loteria que decide as funções dos indivíduos na sociedade. No entanto, vem-se a descobrir que a sorte está viciada. Após o aparecimento de obras como Eye In The Sky de 1956, Dr Futurity de 1960 e Vulcan's Hammer de 1960, Philip K. Dick conseguiu ser reconhecido como escritor, sobretudo com a publicação de The Man In The High Castle (O Homem do Castelo Alto) de 1962. O romance recriava um mundo em que a Alemanha e o Japão haviam vencido a Segunda Guerra Mundial. Por ter mantido relações com o Partido Comunista norte-americano, o escritor foi alvo de cuidadosas investigações por parte do FBI e dos serviços secretos da Força Aérea dos EUA. A visão quase paranóica da realidade que Dick demonstrou em muitos dos seus trabalhos não seria portanto de todo infundada. Inspirando-se em ideias do Budismo, Cabalismo, Gnosticismo e outras doutrinas herméticas, e combinando-as com certos aspectos das novas crenças na parapsicologia, extraterrestres e percepção extra-sensorial, o autor criou mundos alternativos nos quais acabou eventualmente por julgar viver. Consumindo drogas em excesso, alegou ter sido contactado em 1974 por uma inteligência alienígena. PKD explorou em muitas das suas obras temas como a realidade e a humanidade, utilizando normalmente como personagens pessoas comuns e não os normais heróis galácticos de outras obras do gênero. Precursor do gênero cyberpunk, o seu livro Do Androids Dream of Electric Sheep? (Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?) inspirou o filme Blade Runner que, já perto da sua morte por um AVC (Acidente Vascular Cerebral), serviu como introdução a Hollywood e levou a que outras obras suas fossem adaptadas ao cinema. Os filmes Minority Report: A Nova Lei, O Vingador do Futuro, Screamers: Assassinos Cibernéticos, O Pagamento, Impostor, O Vidente, Os Agentes do Destino e O Homem Duplo, também são baseados em novelas ou contos de Dick.

    162 Livros
    939 Seguidores
    Califórnia, Estados Unidos

    Philip Kindred Dick