Joseph Brodsky, prêmio Nobel de literatura de 1987, o autor desse livro, que é uma ligeira compilação de 3 palestras/falas/pronunciamentos do mesmo. Ele, exilado russo, século XX.
Exílio, condição expurgatoria, expulsão, castigo dado por um governante a fim de que o indivíduo despertença àquele local. Mas o indivíduo leva sua bagagem cultural, sua sociedade vai com ele para onde for. Eis a contradição. Faces de moedas diferentes.
Ele fala na primeira delas para um público em Viena, na Áustria, sobre "a condição humana chamada exílio". Diferencia o exilado comum do escritor exilado, puxando a sardinha para o lado dele no quesito coitadismo, e basicamente argumentando que o exilado e escritor sofre mais pois incompreendido e vivendo numa bolha (mundo cultural do qual gostaria de ser um arauto, mas que fica sem voz para tanto). Piegas, para o meu gosto, mas vamos em frente.
O segundo discurso, agora para a plateia de Estocolmo, por ocasião do atribuição do Nobel de literatura, diz respeito a que ele chegou ali em detrimento de outros, também escritores exilados, mas a quem não foi auferida premiação. Foi humilde. Falou da condução de ser um exilado russo, da era estalinista que o expurgou e disse que premiar um poeta era manter a língua viva, pois a linguagem é um invento tão importante para a humanidade quanto foi a invenção da roda.
Por último, o terceiro pronunciamento que diz respeito a um discurso de agradecimento do prêmio Nobel, chamado como "discurso de aceitação" proferido durante um almoço em Estocolmo, fala de ser uma raridade premiar para a posteridade um poeta cujos leitores dizem respeito a apenas um por cento dos leitores, por si só uma exceção de regra e agradece a premiação.
Para uma primeira leitura do autor penso que fiquei meio perdido. Não fedeu, nem cheirou. Mediano. Pode ser uma primeira impressão que se desfaça com o tempo, mas foi o que ficou. A mim não disse a que veio o Nobel. Aliás, o prêmio as vezes é meramente político e creio que seja esse o caso em questão, mas talvez possa estar enganado. O futuro dirá.