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    As Cruzadas Vistas Pelos Árabes -

    Amin Maalouf

    Brasiliense
    1988
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-10: 8511130780
    Português Brasileiro
    4.3
    196 avaliações
    Leram307Lendo64Querem799Relendo2Abandonos9Resenhas23
    Favoritos16Desejados799Avaliaram196

    Finalmente a versão dos vencedores. "Invasores", "Atrasados", "Desconhecedores das regras elementares de ética social"... Era assim que os mulçumanos viam os cruzados: europeus cristãos que invadiam suas terras na tentativa de reconquistar Jerusalém, a "Cidade Santa". Das primeiras invasões, no século XI, até a derrocada final dos cruzados no século XIII, Amin Maalouf constrói aqui uma narrativa inversa à corrente entre nós, ocidentais. Em um livro que nunca deixa de ser épico e emocionante, ele percorre a longa galeria de personagens históricos que participaram da "Guerra Santa", bem como relata os fatos belicosos, as batalhas e os acontecimentos pitorescos surgidos do entrechoque de duas culturas tão diversas. Mostrando os cristãos como cruéis e selvagens, como ignorantes e culturalmente despreparados, Maalouf faz o leitor pensar. Afinal, naquela época, quem eram os verdadeiros bárbaros?

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    Leila de Carvalho e Gonçalves  picture
    Leila de Carvalho e Gonçalves 31/03/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A Outra Ponta Do Telescópio

    Esgotado há anos e vendido por uma quantia exorbitante desde então, As Cruzadas Vistas Pelos Árabes, do líbano-francês Amin Maalouf, acaba de ser republicado pela Editora Vestígio com tradução de Júlia da Rosa Simões. Uma boa notícia, pois com o preço novamente acessível o livro poderá ser conhecido por um número maior de interessados. Aliás, desde o lançamento na França, em 1983, seu conteúdo tem se redimensionado em razão do acirramento das relações entre o Ocidente e o Oriente Médio. Resumidamente, o autor aborda cerca de dois séculos de história, desde a chegada dos primeiros cruzados em Jerusalém em 1096, até a queda de São João de Acre em 1291, empreendendo uma consiste investigação dos motivos e justificativas de cruzados e muçulmanos, bem como alianças, traições, e conflitos ocorridos entre os eles na época. Entretanto, se assim como eu, você anda meio enferrujado sobre o assunto, faz 48 anos que estudei para o vestibular, minha sugestão é rememorar os acontecimentos, optando por um livro de História, ou consultando a internet. Concluída essa etapa, finalmente iniciei a leitura da obra que se trata de um ensaio formado por vários relatos de cronistas e historiadores árabes. Por sinal, conforme seu título indica, ela exibe uma outra perspectiva, inusitada e cativante, do que houve. Sem certo ou errado, de acordo com o historiador Alain Decaux, “é como se o leitor estivesse vendo a outra ponta de um telescópio, em que ambas as imagens dificilmente coincidem”, mas se complementam. Curiosamente, apenas no Prólogo e no Epílogo, Maalouf emprega a palavra “cruzada”, opta por guerras ou invasões, assim como ele enfatiza a riqueza da cultura e a pluralidade étnica-religiosa do Oriente Médio que se considerava guardião desse patrimônio e da fé islâmica. Da mesma forma, ao exibir a difícil relação entre os dois lados, o escritor expõe como a ingerência europeia nas disputas internas propiciou o enfraquecimento da região. Portanto, a despeito de serem apontados como vencedores, pois expulsaram o inimigo de suas terras, os árabes arcaram com a maior parte do ônus das Cruzadas. A bem da verdade, “se para a Europa ocidental a época das cruzadas foi o início de uma verdadeira revolução, tanto econômica quanto cultural, no Oriente as guerras santas levariam a longos séculos de decadência e obscurantismo. Sitiado por todos os lados, o mundo muçulmano se encolheu sobre si mesmo. Ele se tornou medroso, defensivo, intolerante, estéril, atitudes que se agravaram à medida que prossegue a evolução do mundo, em relação à qual ele se sente marginalizado.” (Página 330) Boa leitura!

    40 curtidas

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    4.3 / 196
    • 5 estrelas45%
    • 4 estrelas39%
    • 3 estrelas13%
    • 2 estrelas2%
    • 1 estrelas1%
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    أمين معلوف

    Amin Maalouf (25 de fevereiro de 1949, perto de Beirute) é um escritor libanês. Foi chefe de redacção do Jeune Afrique e mais tarde editorialista do mesmo. Durante 12 anos foi repórter, tendo realizado missões em mais de 60 países. Recebeu os seguintes prémios: Prix des Maisons de la Press pela obra “As cruzadas vistas pelos Árabes”; Prémio Goncourt 1993 pela obra “O rochedo de Tanios”; Prémio Príncipe das Astúrias na categoria letras em 2010.

    27 Livros
    20 Seguidores

    أمين معلوف