A Sociedade Aberta e os Seus Inimigos - Hegel e Marx

    Karl Popper

    70
    2013
    320 páginas
    10h 40m
    ISBN-10: 9724416593
    Português

    «É tentador determo-nos nas semelhanças entre o marxismo, a esquerda hegeliana, e a sua contraparte fascista. Seria, no entanto, absolutamente injusto passar por cima da diferença que os separa. Embora a sua origem intelectual seja praticamente idêntica não pode haver dúvidas quanto ao impulso humanitarista do marxismo. Para mais, em contraste com os hegelianos de direita, Marx tentou honestamente aplicar métodos racionais aos problemas mais prementes da vida social. O valor desta tentativa não é prejudicado pelo facto de que, como tentarei mostrar, tenha sido em grande parte mal sucedida. A ciência progride por tentativa e erro. Marx tentou, e embora tenha errado nas suas principais doutrinas, não tentou em vão. Abriu e aguçou os nossos olhos de muitas maneiras. É inconcebível um regresso à ciência social pré-marxista. Todos os autores modernos estão em dívida para com Marx, mesmo que não o saibam. Isto é especialmente verdade quanto àqueles que discordam das suas doutrinas, como eu; e admito sem reservas que o meu tratamento de Platão e de Hegel, por exemplo, tem o selo da sua influência.» Karl Popper

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    Filino Carvalho Neto14/04/2016Resenhou um livro
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    Um poderoso ataque à filosofia política de Platão

    Um bom livro pode ser medido pelo impacto que provoca no leitor. Não falo de deleite, de prazer, mas de "porrada", mesmo: aquela leitura que mais parece um golpe na boca do estômago, deixando o leitor desnorteado, surpreso e com um ar de interrogação: "como assim?" "A sociedade aberta e seus inimigos" (volume I) é dessas obras. Trata-se de um torpedo contra o totalitarismo presente na filosofia platônica, que muitos não veem e vários outros teimam em não enxergar. Com uma prosa didática e agradável, Popper disseca o pensamento do ilustre grego sobre a política (centrando suas atenções n'A República) e demonstra que até o "divino Platão" louva atitudes que julgaríamos bastante questionáveis (ou "fascistas", para utilizar um termo em voga). É um livro indicado para não-especialistas em filosofia e, também para quem nunca leu nada de Popper. Mesmo para aqueles já familiarizados com a filosofia e para os poucos que se debruçam sobre a filosofia grega ou o pensamento popperiano, as notas ao fim da obra (que são numerosíssimas, recheadas de informações e que consomem boa parte do livro) são um aprendizado e tanto. Interessante ressaltar que a leitura das notas é dispensável e não influi na compreensão do texto, caso o leitor não queira enfrentá-las. Curioso que uma obra dessa magnitude é muito pouco citada em matérias de cursos como Direito, Filosofia ou Ciência Política. Por que será?

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