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    Pastoral americana -

    Philip Roth

    Companhia das Letras
    1998
    480 páginas
    16h 0m
    ISBN-13: 9788571648524
    Português Brasileiro
    4.2
    706 avaliações
    Leram1009Lendo64Querem1254Relendo1Abandonos28Resenhas66
    Favoritos85Desejados1254Avaliaram706

    Empresário judeu bem-sucedido, Seymour Levov casa-se com uma católica em 1949, prefere contratar negros em sua fábrica e dá uma educação liberal à filha. Suas ilusões acabam destruindo o lar que ele imaginava perfeito, à moda dos ideais americanos. No estilo impetuoso e desbocado de Philip Roth, Pastoral americana narra os esforços de Seymour Levov para manter de pé um paraíso feito de enganos. Filho de imigrantes judeus que deram duro para subir na vida, Seymour tenta em vão comunicar um legado moral à terceira geração da família Levov. Esmagado entre duas épocas que não se entendem e desejam destruir-se mutuamente, Seymour se apega até o fim a crenças que se mostram cada vez mais irreais. A força de sua obstinação em defesa de uma causa perdida lhe confere um caráter ao mesmo tempo de heroísmo e desatino. Para contar a história, Philip Roth ressuscita seu famoso alter ego, o romancista Nathan Zuckerman, herói e narrador dos romances Casei com um comunista e A marca humana. Na voz de Zuckerman, Seymour Levov assume a dimensão patética de um Adão obediente que um dia, sem entender por que, se vê expulso do paraíso.

    Edições (3)

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    Stela Antunes picture
    Stela Antunes19/07/2026Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Viver é entender as pessoas errado. Entendê-las errado, errado e errado, para depois, reconsiderando tudo cuidadosamente, entender mais uma vez as pessoas errado.

    Pastoral Americana, publicado em 1997 e vencedor do Prêmio Pulitzer de Ficção em 1998, é, antes de tudo, um romance sobre a falência do sonho americano. Dividido em três partes, Paraíso Relembrado, A Queda e Paraíso Perdido , o livro é narrado por Nathan Zuckerman, alter ego de Philip Roth, em um tom marcado pela melancolia, desilusão e pela nostalgia. A história acompanha o judeu americano Seymour Levov, o Sueco, um homem que parecia personificar tudo aquilo que os Estados Unidos( e a maioria dos seres humanos) valorizavam: bonito, excelente atleta, bom filho, pai presente, marido dedicado, casado com uma ex-miss e bem-sucedido nos negócios. Aos olhos de todos, ele era a própria imagem do sucesso. Mas Roth nos lembra que nenhuma vida resiste às simplificações. À medida que a narrativa avança, o Sueco vê seu mundo ruir e percebe que a imagem que havia construído de si mesmo, de sua família e da realidade era, em grande parte, uma ilusão. Ambientado entre o fim da Segunda Guerra Mundial e o final da década de 1960, o romance percorre um período de profundas transformações na sociedade americana. As tensões raciais, a Guerra do Vietnã, os conflitos políticos e o choque entre gerações atravessam a narrativa e revelam como a história coletiva invade, inevitavelmente, a vida privada. Com sua ironia fina e sua extraordinária capacidade de observar as contradições humanas, Roth transforma a tragédia da família Levov em um retrato da desintegração de valores como família, patriotismo, prosperidade e estabilidade. Embora trate de religião, política, história, pertencimento e identidade, o romance me parece girar em torno de perguntas muito mais íntimas: quem somos? Quem somos para os outros? Como nos enxergamos? E como somos vistos? Essas respostas raramente coincidem. Cada pessoa constrói versões de si mesma e daqueles que ama, e talvez o maior erro seja acreditar que conhecemos verdadeiramente alguém ou até mesmo a nós mesmos. O livro também carrega um sentimento constante de balanço existencial, aquele momento em que somos obrigados a reconhecer que nem tudo pode ser explicado e que a vida escapa às nossas tentativas de controle. O Sueco enfrenta justamente essa descoberta: a de que não basta fazer tudo "certo, como somos ensinados desde criança, para evitar a tragédia. Há acontecimentos que simplesmente rompem qualquer lógica e desmontam as narrativas que construímos. Foi uma leitura que fiz na companhia da Karin, cujas observações enriqueceram profundamente minha experiência. Muitas das conversas que tivemos me permitiram enxergar camadas que provavelmente teriam passado despercebidas. Isso tornou a leitura ainda mais especial. Muito obrigada. 💖

    48 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.2 / 706
    • 5 estrelas41%
    • 4 estrelas39%
    • 3 estrelas15%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas1%
    Philip Milton Roth profile picture

    Philip Milton Roth

    Foi um escritor norte-americano de origem judaica, considerado um dos maiores escritores norte-americanos da segunda metade do século XX, conhecido sobretudo pelos romances, embora também tenha escrito contos e ensaios. Sua obra é marcada por tramas intrincadas com alter-egos e vidas alternativas que exploram aspectos da identidade judaica e americana. Roth foi vencedor de diversos prêmios literários importantes, incluindo o Prêmio Pulitzer (1998), National Medal of Arts na Casa Branca (1998), a Gold Medal in Fiction (2002), a maior distinção da American Academy of Arts and Letters. Recebeu duas vezes o National Book Award e o National Book Critics Circle Award, e três vezes o prêmio PEN/Faulkner. E, em 2011, ganhou o Man Booker International Prize. Grande parte da obra de Roth explora a natureza do desejo sexual e a autocompreensão.

    67 Livros
    364 Seguidores
    Nova Jersey, EUA

    Philip Milton Roth