"Eu não namorei, ou quis namorar qualquer mulher desde o momento em que você e seus óculos feios entraram na minha vida, Pequena".
Adicione uma mulher bem sucedida, na casa dos trinta anos, com o relógio biológico disparando alarmes, junte um homem famoso, charmoso e rico, misture o desejo mútuo de terem um filho, coloque pitadas de falta de compromisso, tudo puramente contratual, sem vínculo romântico, espere nove meses e voilà: um bebê está pronto. Receita fácil para alcançar o resultado desejado e evitar problemas, certo? Em se tratando de Stella e Dane, aparentemente não.
Stella quer um filho. Após uma epifania provocada por uma tragédia familiar, ela percebe que os anos estão passando, e sua chance de gerar um filho está ficando para trás. Só que relacionamentos não fazem parte de seu vocabulário, ela simplesmente não confia no sexo masculino, sua vida resume-se ao trabalho. Então decide ter um filho com guarda compartilhada, ou seja, um acordo em que ambas as partes se responsabilizam pelas despesas e educação, duas pessoas que querem ter um filho firmam um contrato.
Dane é um ex jogador da NFL. Seu nome é sinônimo de fama, dinheiro e mulheres. Mas nunca teve um relacionamento sério. Não confia nas mulheres, graças a sua mãe, mas quer um filho para dividir os mesmos momentos que viveu com seu pai. A solução de Stella parece ser uma boa pedida. O que ele não esperava era que o inimaginável acontecesse: ele desenvolvesse sentimentos pela mãe de seu filho.
Dane é hilário. Foi o perfeito contrabalanço na personalidade austera de Stella. Suas sacadas nos piores momentos possíveis tornou o livro leve e divertido. Stella é uma personagem bem fechada. Sua obsessão em ganhar dinheiro, apesar de justificável no momento em que fatos de seu passado vem à tona, a tornaram uma pessoa de passagem pela vida, ela não aproveita nenhuma oportunidade, não se permite relaxar e ser feliz nenhum segundo.
Os dois personagens tem problemas de confianças no sexo oposto. Tanto o pai de Stella quanto a mãe de Dane os marcaram desde a infância, e essa mágoa interfere no presente, com eles adultos. Esse fato de não se relacionarem é uma herança do comportamento de seus pais. Achei isso válido, entendo como ela tem medo de ser abandonada, e ele tem medo de amar alguém tão profundamente como seu pai amou sua mãe e ser usado. Esse tipo de trauma imagino eu que realmente afetaria uma pessoa.
Todo o plot da gravidez, desde as consultas médicas, ao dia da inseminação até a confirmação da gravidez fará o leitor dar boas risadas. O entusiasmo de Dane é contagiante. O momento que ele percebe que gosta de Stella é o melhor do livro. Aquele homem bon vivant percebendo que se apaixonou, e em contrapartida seus amigos incrédulos com o fato, tornaram a situação mais engraçada do que já era. A partir do momento que ele aceita o fato de amar Stella, ele parte para conquistá-la. O que será um trabalho árduo.
Stella foi a personagem com quem tive alguns problemas. Ela também se apaixona por Dane, mas não aceita de maneira alguma, tem certeza que não durará, que mais cedo ou mais tarde ele irá embora. Como já disse, a entendo, mas em nenhum momento ele demonstra que está brincando, pelo contrário, o filho para ele é muito sério. Ela passa boa parte do livro fantasiando com ele, para quando finalmente consegue tê-lo, ficar fugindo e o afastando.
Toda a "ficção" que encenam para o pai de Dane, uma hora seria descoberta. Mas serviu para mostrar aos dois o que eles poderiam ter de verdade se parassem de serem teimosos.
No geral é um bom livro, engraçado, fofo, doce e romântico. Onde a grande lição é que não existe fórmula para a felicidade, você deve agarrar as oportunidades e viver. Uma boa leitura.