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    Em nome de quem? - A bancada evangélica e seu projeto de poder

    Andrea Dip

    Civilização Brasileira
    2018
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-10: B07CQ6C95T
    Português Brasileiro
    4.2
    81 avaliações
    Leram131Lendo9Querem157Relendo0Abandonos0Resenhas6
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    Um trabalho de fôlego sobre a mistura explosiva de política e religião na vida nacional. Neste livro-reportagem, a premiada jornalista Andrea Dip investiga as intricadas estruturas sociais, políticas e místicas que sustentam a escalada das Igrejas Evangélicas ao poder. Com linguagem ágil, apresenta pontos importantes, como a aliança de evangélicos com outros setores conservadores (como a CNBB e o Projeto Escola Sem Partido), o ataque aos direitos de grupos identitários (com as chamadas "cura gay", "ideologia de gênero" e projetos antiaborto), a ocupação de um espaço deixado pelo Estado e o uso da mídia. Além disso, busca identificar, sem preconceitos, quem são as pessoas que levam adiante o projeto evangélico de poder, como se articulam e em nome de quem levantam suas bandeiras. Prefácio de Marina Amaral e orelha de Fernando Molica.

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    Otávio Palmeira picture
    Otávio Palmeira25/01/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    “Nessa lógica, se o pedido não se realizar, a culpa é transferida ao crente, que não orou direito, não teve fé o bastante ou não fez oferta de sacrifício suficientes para receber a graça de volta.” A fé é um dos motores da humanidade. Da fé religiosa até a fé no valor do dinheiro, é ela que guia destinos, guerras, amores e histórias. A capacidade de acreditar em conceitos não-tangíveis é considerada por muitos especialistas um ponto de diferenciação nosso em relação aos demais “animais”. Até que ponto, porém, pode a fé religiosa interferir em aspectos sociais que envolvem tantos que não comungam das mesmas crenças? Escrito pela jornalista Andrea Dip e publicado em 2018, “Em nome de quem?” é um livro-reportagem que tem como objetivo investigar as relações das Igrejas Evangélicas com o poder no Brasil, como aconteceu essa escalada e como ela se sustenta em suas ‘bases”. Entender como evangélicos pentecostais e neopentecostais chegaram ao poder é fundamental para compreendermos a política brasileira e, em especial, os últimos quatro anos de desgraça que vivemos. Ter sido publicado antes do início do governo Bolsonaro poderia ser algo que falasse contra a obra, porém é exatamente a capacidade de entregar um retrato tão claro, rico e nítido sobre os fatores que levaram a direita conservadora ao poder que torna esse um livro tão necessário no trabalho de destrinchar os anos de pavor que o sucederam. De uma forma absolutamente clara e embasada, o livro explica os fenômenos da Teoria da Prosperidade e da Teoria do Domínio, largamente utilizados pelas principais denominações pentecostais do país, e que explicam muito da ideia de lavagem cerebral e seita que essas mesmas igrejas demonstram. Além disso, “Em nome de quem?” traz informações importantes para entendermos como a esquerda brasileira perdeu o “contato” com as camadas mais pobres e vulneráveis da população e como muitas das denominações, que hoje elegem congressistas e governadores, ocuparam espaços importantes dentro da sociedade, entregando sentido de pertencimento, entretenimento e estrutura comunitária. Não nos cabe um julgamento sobre a fé particular de cada um, mas quando essa fé tem como objetivo tomar o poder, ameaçar e destruir pensamentos diferentes de suas doutrinas, nos cabe a luta por igualdade e justiça. É direito de cada cidadão expressar sua fé, nunca exigir que o outro viva sob suas crenças e percepções de verdade. Livro essencial para que não sigamos repetindo os mesmos erros e finalmente possamos caminhar para uma sociedade plural, igualitária e com um Estado efetivamente laico.

    10 curtidas

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    Andrea Di Profio Morettoni

    Começou no jornalismo em 2001 na Caros Amigos e desde então já escreveu para diversos veículos. Na Agência Pública de Jornalismo Investigativo é repórter especial e cobre temas relacionados à gênero, sistema carcerário, infância, entre outros. Tem 5 prêmios de jornalismo em direitos humanos e em 2013 ganhou o Prêmio Tim Lopes de Jornalismo Investigativo da ANDI para produzir, ao lado do quadrinista Alexandre de Maio, a primeira grande reportagem investigativa feita totalmente em quadrinhos no país. A matéria foi finalista do Prêmio Gabriel Garcia Marquez em 2015. Em 2016 recebeu o Troféu Mulher Imprensa na categoria site de notícias.

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    Andrea Di Profio Morettoni