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    Ice -

    Anna Kavan

    Picador Books
    1973
    128 páginas
    4h 16m
    ISBN-10: 0330234420
    3.5
    11 avaliações
    Leram15Lendo1Querem23Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos0Desejados23Avaliaram11

    Blends dream sequences and narrative to reveal an ice-and-snow world run by a secret government and threatened with nuclear devastation.

    Edições (6)

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    Resenhas (1)Ver mais
    André Pithon picture
    André Pithon16/02/2025Resenhou um livro
    3 (Bom)

    3.5 Bem vindos a mais uma edição do vício contemporâneo em Anna Kavan. Gelo é o livro que eu mais queria empurrar para meu clube do livro, e acho que devo me desejar com sorte que não foi votado. Acho que eu seria banido do clube. Anna Kavan já é relativamente incompreensível e surrealista em suas antologias de contos (só li Julia & the Bazooka até então), mas aqui as coisas são elevadas a um extremo, pois tudo é claramente conectado, mas ao mesmo tempo tão não explicado, mal alinhado e circular. Nos contos tudo se conecta em temas e elementos; mas aqui quando é tudo é mais claramente imbricado, a trama vai se perdendo em sonhos e desilusões e longas viagens de barco. A história é irrelevante, mas as vibes são imaculadas. Tem uma anoréxica anêmica coitada que fica correndo por aí enquanto o narrador persegue ela para salvá-la (lê-se: abusar dela). Você passa o livro na cabeça do maluco, e vai percebendo que ele é desajustado, e que o grande antagonista que vive roubando a garota talvez seja ele também. Mas talvez não: o livro não se dá ao trabalho de explicar. É tudo escrito com uma dose considerável de drogas, o que gera uma ambientação curiosa e desesperadora. A mulher é a figura mais interessante, e o interessante é que ela nem mesmo é um personagem, ela só é vista através dos olhos e das desilusões dos homens, habitando uma posição eterna de vítima e de donzela, definida como homens a definem e se perdendo nesse papel. É um livro fascinante, um sonho febril, realmente febril; por vezes eu descrevo histórias como caindo nesse onírico (Vita Nostra/Body After Body); mas esse é realmente mergulhado no surrealismo, onde tudo propositalmente cai para a irracionalidade, e a fantasia é construída na falta de sentido do mundo. O slipstream aqui degenera em uma série de fatores que se conectam mas não perfeitamente, tudo levado por uma paixão obsessiva que não demora para deixar claro que não é saudável para ninguém envolvido. Gostei da experiência, mas é um livro difícil, meio cansativo, onde você não pode se ater muito aos fatos pois eles não se atém realmente a si mesmos. É um livro que falta uma conclusão, onde você tem que assumir coisas por si mesmo, e onde nenhum personagem é agradável de se acompanhar. Extremamente experimental, único, incômodo. Prefiro muito mais os contos aos romances - os quais pretendo revisitar, ao contrário desse - mas é possível perceber um mesmo estilo de ambientes borrados e mentes confusas.

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    Avaliações

    3.5 / 11
    • 5 estrelas18%
    • 4 estrelas27%
    • 3 estrelas27%
    • 2 estrelas27%
    • 1 estrelas0%
    Helen Emily Woods profile picture

    Helen Emily Woods

    Anna Kavan (1901-1968) foi uma escritora e artista plástica britânica. Começou publicando sob seu nome de casada, Helen Ferguson, em 1929 e em 1940 passou a publicar sob o nome Anna Kavan (uma de suas próprias personagens fictícias). A sua escrita era em grande parte inovadora e experimental, influenciada pela batalha que travou ao longo da vida contra depressão severa e dependência crônica em heroína. Antes de morrer, a autora destruiu toda a sua correspondência e diários pessoais, ambicionando tornar-se «um dos maiores segredos do mundo literário». Quase o conseguia, não fosse a força profundamente inovadora da sua escrita e a admiração incondicional dos seus pares, entre os quais se contam nomes como Anaïs Nin, J. G. Ballard, Doris Lessing ou Patti Smith, a terem resgatado de um possível e injusto esquecimento.

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    Helen Emily Woods