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    A força das coisas (Memórias) -

    Simone de Beauvoir

    Nova Fronteira
    2018
    640 páginas
    21h 20m
    ISBN-13: 9788520933183
    Português Brasileiro
    4.2
    17 avaliações
    Leram22Lendo4Querem158Relendo0Abandonos0Resenhas3
    Favoritos3Desejados158Avaliaram17

    Após abordar sua infância e juventude em Memórias de uma moça bem-comportada e seus primeiros anos como escritora em A força da idade, Simone nos relata aqui sua experiência como intelectual consagrada, numa escrita mais sóbria e madura. Em A força das coisas, ela recupera belas histórias de viagens (à Espanha e à Áustria, por exemplo) e o cotidiano da intelectualidade francesa, com montagens de peças, publicações de livros, divulgação de manifestos em revistas, enfim, o soerguimento das manifestações culturais no pós-guerra. E, como uma boa surpresa, Simone de Beauvoir dedica parte desta obra a suas impressões sobre o Brasil, a partir de sua visita com Sartre, guiada por Jorge Amado. Para a autora, a escrita de um romance ou de uma biografia a absorve mais do que a de um ensaio. O tempo de reflexão e de pesquisa é longo; o trabalho, árduo; e muitas vezes, depois de mais de trezentas páginas escritas, ela recomeça tudo do zero. Mais do que um ofício, para Simone a literatura é uma mania; uma ansiedade a faz levantar para escrever. A força das coisas é uma imersão no passado; através do resgate de cartas, diários e anotações, partilhamos dessa reflexão sobre o fazer literário, dessa procura pela verdade, por mais crítica ou subjetiva que seja.

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    Resenhas (3)Ver mais
    Leila Cardoso picture
    Leila Cardoso30/12/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Ler A Força das Coisas, de Simone de Beauvoir, foi uma experiência marcante e cheia de descobertas. Confesso que só me dei conta de que estava lendo o terceiro volume de suas memórias quando já estava praticamente no final. Agora, terei que fazer o caminho inverso e me aventurar em A Força da Idade fora de ordem – mas, quer saber? Acho que vale a pena. Essa obra me tocou de uma forma diferente. Os temas sérios e pungentes aparecem com força, e em muitos momentos eu me senti realmente mexida. Um dos pontos altos, para mim, foi a visita da Simone e do Sartre ao Brasil, em 1960. Achei fascinante acompanhar as impressões dela sobre o nosso país naquela época. Ela foi perspicaz e certeira ao falar sobre as desigualdades sociais, o racismo estrutural e as contradições de uma nação que se orgulhava de Brasília como símbolo de modernidade, mas ignorava as condições precárias da maioria de sua população. Ouso dizer que muitos dos problemas que ela apontou ainda respingam na nossa realidade. Outro aspecto que chamou muito minha atenção foi o contexto político e social europeu que permeia o livro, especialmente os relatos sobre a Guerra de Independência da Argélia. Confesso que sabia bem pouco sobre o assunto e fiquei feliz de aprender mais. É impressionante como Simone combina a vivência pessoal com reflexões tão profundas sobre temas globais, trazendo um equilíbrio entre história e emoção. No entanto, algo que me incomodou foi o quanto a vida de Simone parece girar em torno de Sartre. Ela fala muito sobre ele, e às vezes tive a sensação de que ela estava mais à sombra dele do que gostaria de admitir. No pósfácio, ela tenta rebater essas críticas, mas, sinceramente, não me convenceu completamente. É claro que ela teve um papel importante naquele momento histórico, mas a grande estrela era ele, e isso transparece na narrativa. Por outro lado, uma das passagens mais bonitas do livro está na forma como ela fala sobre o envelhecer. É um texto muito tocante, cheio de honestidade e de poesia, que faz a gente refletir sobre o tempo e o que ele nos ensina. Para mim, valeu todo o livro só por essas reflexões. No fim das contas, adorei a leitura. Essa obra tirou um pouco aquela sensação de superficialidade que eu tinha sentido em Memórias de uma Moça Bem Comportada. É um livro mais denso, mais sério e, para mim, mais impactante. Fiquei envolvida tanto com as reflexões da Simone quanto com o contexto histórico e social que ela apresenta. Foi uma leitura que me marcou e que recomendo para quem gosta de memórias literárias e quer entender melhor os dilemas de uma época que, de certa forma, ainda ressoa nos dias de hoje.

    6 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.2 / 17
    • 5 estrelas47%
    • 4 estrelas35%
    • 3 estrelas18%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
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    Simone Lucie-Ernestine-Marie Bertrand de Beauvoir

    Escritora, intelectual, filósofa, ativista política e teórica social francesa. Influência decisiva para o existencialismo e para o movimento feminista, com seu basilar "O segundo Sexo", foi autora de vasta e eclética obra, de autobiografia a teses filosóficas e políticas.

    80 Livros
    899 Seguidores

    Simone Lucie-Ernestine-Marie Bertrand de Beauvoir