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    Heresia protestante - Polêmica com um pastor presbiteriano

    Dr. Carlos de Laet

    Centro Dom Bosco
    2018
    272 páginas
    9h 4m
    ISBN-13: 9788594424020
    Português Brasileiro
    4.3
    10 avaliações
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    Dr. Carlos de Laet (1847-1927) conta-se entre um dos maiores intelectuais leigos católicos da história do Brasil. Escreveu cerca de 3000 artigos para inúmeros jornais, traduziu para o português a Rerum Novarum e foi feito Conde Romano pelo Papa. Também foi membro-fundador e presidente da Academia Brasileira de Letras, bem como professor e diretor do colégio Pedro II. Entrou em um debate com o pastor protestante Alvaro Reis e o presente livro contempla o resultado desse grande confronto.

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    Bonavigo25/02/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Uma boa polêmica para se afiar contra os protestantes

    Antes de começar a ler este livro, não conhecia o Dr. Carlos de Laet. Felizmente, a edição do CDB possuí uma introdução escrita pelo Dr. Álvaro Mendes, com uma pequena biografia do homem. Descobri então um homem cultíssimo, extremamente polêmico e monarquista. Destas três características, tenho apenas duas, e acho que quem está lendo esta resenha já deve sabê-las. Apesar de toda a sua formação, cultura, conhecimento em áreas diversas, capacidades literárias e linguísticas, e de até ter ganho o título de Conde Romano, o Dr. Carlos de Laet era um homem extremamente humilde, não tendo feito esta polêmica por vaidade, mas por uma profunda vontade de defender a Fé Católica e de convencer o ex-seminarista apóstata, agora ministro presbiteriano, a tornar à Igreja de Cristo. Mesmo com as provocações e ignorâncias de Álvaro Reis, ele manteve o decoro, mesmo quando os argumentos do presbiteriano chegavam ao ridículo. Dou como exemplo este: "Aflitíssimo por tirar isso a limpo, diz S. Sa. que foi à biblioteca do mosteiro de São Bento, onde, graças à bondade de um frade que desconfio ter sido o leigo porteiro pôde examinar muito a gosto as obras de S. Irineu. Que decepção! Lá estava o trecho, em latim, na edição de 1740. E é o seguinte: 'Et si ea inobedierat Deo, sed haec suasa est obedire Deo, ut Virginis Evae Virgo Maria fieret advocata.' Que fazer? Lá se achava: 'para que a Virgem Maria se fizesse a advogada da Virgem Eva.' Realmente não havia remédio senão chamar de herege ao próprio S. Irineu! Muito em boa hora, os senhores protestantes para casos tais sempre têm recursos admiráveis. Os comentadores dos Ante-Nicene Fathers foram chamados com urgência. Segundo estes o termo advocata, advogada, é ambiguo, é vocábulo dife limo de entender. Quem é que sabe o que é um advogado, ou uma advogada? De sorte que na opinião dos mesmos exegetas seria melhor substituir advocata pelo vocábulo grego antilepsia, auxílio, S. Irineu não disse auxílio, disse advogada, mas que fazer se os doutos acham melhor que o Santo houvesse dito como eles querem? [...] Aborrecido, tomou o sr. Alvaro uma resolução heroica: nem os autores do Ante-Nicene Fathers, nem o erudito Grabe: exegese sua própria, lá dele, pastor Álvaro. Para S. Sa., advocata não é advogada, é chamada, isto é, chamada a si (!) da desventurada Eva, por ser a mãe do Salvador. E quem não entender, finja entendê-lo..." (pg. 125-126) Sim, ele chegou ao ridículo de tentar transformar "advocata" em "ad vocata", "advogada" em "para si chamada". Mesmo após argumentos assim, e outros tão ridículos quanto, como o presbiteriano acusá-lo de defender teses protestantes, o Conde manteve a polidez e a alta argumentação. Citou os Pais da Igreja que o presbiteriano distorcia, mostrou-lhe as corretas traduções das Sagradas Letras, quando este presbiteriano tentava distorcer o significado de palavras latinas e gregas (ambas línguas faladas pelo Conde), enfim, não cansou de mostrar os erros do ministro protestante. Não sei qual foi o fim de Álvaro Reis, mas espero que tenha morrido católico. É um bom livro para responder argumentos protestantes muito batidos, alguns até repetidos pelos tais "reformados", que se acham mais versados no estudo dos Pais da Igreja. Recomendo muito sua leitura.

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    Carlos Maximiliano Pimenta de Laet profile picture

    Carlos Maximiliano Pimenta de Laet

    Filho de Joaquim Ferreira Pimenta de Laet e de Emília Ferreira de Laet, aos catorze anos de idade matriculou-se no primeiro ano do Colégio Pedro II. Laureado bacharel em letras, matriculou-se na Escola Central, atual Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Formado em engenharia, não quis seguir a carreira preferindo voltar-se para o magistério e o jornalismo. Em 1873 fez concurso para o Colégio Pedro II para a cadeira de português, geografia e aritmética, disciplinas que formavam o primeiro ano do curso. Em 1915, com a reforma da instrução secundária, desapareceu aquilo que Ramiz Galvão chamara de "anomalia" - a reunião de três disciplinas tão díspares numa mesma cadeira - e Laet foi então nomeado professor de língua portuguesa. Por um momento, deixou-se seduzir pela política. Em 1889 seus amigos monarquistas insistiram com ele para aceitar uma cadeira de deputado. Eleito, a Proclamação da República privou-o da cadeira. Manteve-se monarquista e fiel ao culto de D. Pedro II. Proclamada a República, deliberou o Governo Provisório extinguir quaisquer reminiscências do antigo regime, e uma das medidas que tomou foi substituir o nome do Colégio Pedro II pelo de Instituto Nacional de Instrução Secundária. Na sessão da congregação da casa de 2 de maio de 1890, Laet requereu fosse feito um apelo ao governo republicano para conservar-se o nome antigo do estabelecimento. Mas a grande maioria dos professores era então republicana. No dia seguinte, o Diário Oficial trazia a demissão de Carlos de Laet. Pouco depois, Benjamin Constant, o primeiro ministro da Educação do novo governo, conseguia transformar o ato de demissão em aposentadoria. Só no governo de Venceslau Brás foi ele reconduzido ao seu posto no magistério secundário. Carlos de Laet exerceu, desde então, até aposentar-se, em 1925, o seu cargo de professor, sendo também, durante longos anos, diretor do Internato Pedro II. Foi professor do Externato de São Bento e do Seminário de São José, entre outros estabelecimentos de ensino particular. No jornalismo, estreou no Diário do Rio em 1876, passando em 1878 para o Jornal do Commercio, onde durante dez anos escreveu os textos do seu "Microcosmo". Trabalhou também, como colaborador ou como redator, na Tribuna Liberal, no Jornal do Brasil, no Jornal do Commercio de São Paulo e do Jornal, nos quais deixou uma vasta produção de páginas sobre arte, história, literatura, crítica de poesia e crítica de costumes. Também se encontra colaboração da sua autoria na revista Atlântida[1] (1915-1920). Por suas convicções monarquistas sofreu perseguição também em 1893, por ocasião da Revolta da Armada. Orgulhava-se de não ter embainhado "o pedaço da espada que me quebraram em 89". No entanto, ter-lhe-ia sido mais cômodo aderir ao novo regime. Mesmo porque à República só poderia ser grato e proveitoso o apoio de um homem como ele. O jornalista refugiou-se então em São João del-Rei, onde dedicou-se a escrever o livro "Em Minas". Católico fervoroso, serviu à Igreja no Brasil, como presidente do Círculo Católico da Mocidade, sendo-lhe conferido pelo Vaticano o título de Conde. Ferrenho opositor do movimento nascido em São Paulo com a Semana de Arte Moderna de 1922 ironizou e combateu o Modernismo. Graça Aranha foi alvo de suas críticas e zombarias, tendo-lhe fornecido assunto para três sonetos galhofeiros. Tendo produzido um acervo jornalístico que, reunido em livros, chegaria a dezenas de volumes, Carlos de Laet deixou bem poucas obras publicadas.

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    Rio de Janeiro, Brasil

    Carlos Maximiliano Pimenta de Laet