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    Para Sempre -

    Vergílio Ferreira

    Circulo de Leitores
    1985
    244 páginas
    8h 8m
    ISBN-13: 9789725647417
    Português Brasileiro
    3.8
    11 avaliações
    Leram26Lendo4Querem24Relendo0Abandonos0Resenhas1
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    Em Para Sempre, «no final de uma vida, entrando no seu epílogo, um homem já sem destino para cumprir medita sobre o seu passado e o seu futuro, no regresso a uma casa vazia onde passou parte da sua infância, povoada de fantasmas que evocam os momentos-chave da sua existência. Recheado de flashbacks para o passado e para o futuro (!), a antevisão, real e com todos os detalhes, da degradação da sua velhice e do seu funeral urge em Paulo a derradeira tentativa de procura da explicação de um sentido para a vida». «Contínua e cada vez mais solitária viagem em volta do único ponto do seu universo: o da sua infância como monólogo inacabado e inacabável em torno do milagre ardente e pavoroso da sua própria aparição no meio do mundo - montanha, estrelas, água, vento que é uma resposta antes de ser desesperada e inútil interrogação.»

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    Resenhas (1)Ver mais
    Filipe Figueiredo picture
    Filipe Figueiredo01/07/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Eu tinha muito preconceito com o Vergílio Ferreira, devido a devoção que ele mantinha por escritores de segundo escalão(Minha opinião) como Sartre e Malraux. Tenho pra mim que para traçar se você irá gostar de um escritor ou não, basta analisar suas influências. Nem sempre isso sucede numa boa estratégia, como foi o caso do Ferreira para mim. Não tem nada dessas chatices de pequeno burguês niilistas do Sartre na obra dele, e a escrita está longe de ter a insipidez do Malraux. Pelo contrário, é de uma sensibilidade rica e inquietante, como é profunda em sua simplicidade, atinge firme como uma brisa estremecedora cada frase. Me recorda mais O Livro do Desassossego, aliás, duas das minhas leituras favoritas do ano: Essa obra do Pessoa e "Para Sempre" do Ferreira. Para Sempre é uma narrativa que emprega uma técnica bastante evocadora, semelhante às madelaines do Proust, cada imagem poética desnuda experiências e memórias do narrador diferentes, do violino com as cordas esgarçadas, o corrimão empoeirado da escada, a cama da filha. É uma sinfonia de sensações arrepiantes. Pretendo ler mais deste escritor, tendo superado o preconceito e me maravilhado com esta obra.

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