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    A elite do atraso - da escravidão à Lava Jato

    Jessé Souza

    Leya
    2017
    140 páginas
    4h 40m
    ISBN-10: 9704156618
    Português Brasileiro
    4.2
    1411 avaliações
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    A elite do atraso - da escravidão à Lava Jato é uma resposta crítica do sociólogo Jessé Souza a um clássico: Raízes do Brasil, do historiador Sérgio Buarque de Holanda, publicado em 1936 e eternizado por incontáveis intelectuais de todas as colorações ideológicas e partidárias. Todas as nossas elites universitárias foram formada, na direita e na esquerda, por essa leitura, antes incontestada, do Brasil. Este livro é uma leitura crítica contra a interpretação dominando do país e de suas mazelas, difundidas em "pílulas diárias" também pela mídia. Do "homem cordial" de Sérgio Buarque aos "donos do poder" de Raymundo Faoro, da visão do Estaco corrupto e patrimonial à qual Fernando Henrique Cardoso se alinhou à figura do "jeitinho brasileiro" interpretada por Roberto DaMatta, essa leitura ajudou a sedimentar a síndrome de vira-lata do brasileiro e a espalhar a ideia de que a corrupção política é o grande problema nacional - um problema que teria sido herdade especialmente da nossa formação ibérica. Daí o sucesso da operação Lava Jato em uma sociedade ansiosa por remover os males instalados no Estado brasileiro. Essa é uma falsa ideia, diz Jessé Souza, numa obra que reúne a revisão conceitual e acadêmica presente em A tolice da inteligência brasileira com a contundência estatística da narrativa de A radiografia do golpe - dois best-sellers lançados pela Leya em 2015 e 2016. No Brasil de 2017, o sociólogo lembra que Raízes do Brasil é fundamental para entender o país da Lava Jato. A "limpeza da política" do procurador Deltan Dallagnol e do juiz Sérgio Moro, afirma Jessé, se legitima com Sérgio Buarque e seus epígonos; a mídia ( e em particular a Rede Globo) legitima sua violência simbólica do mesmo modo. Para desconstruir essa legitimação "naturalizada" ao longo de décadas, A elite do atraso ataca três eixos bem definidos. Primeiro, toma a experiência da escravidão, e não a suposta e abstrata continuidade com Portugal e seu "patrimonialismo", como a semente da sociedade desigual, perversa e excludente do Brasil. Segundo, analisa como a luta de classes por privilégios construiu alianças e preconceitos que esclarecem o padrão histórico repetidos nos embates políticos do Brasil moderno. ( Aqui o autor olha também a cultura, incluindo laços familiares e afetivos, e não apenas as relações econômicas, para compreender as diferentes classes sociais e explicar o nosso comportamento real e prático no dia a dia.) Terceiro, Jessé faz o diagnóstico do momento atual, batendo forte no que chama de conluio entre a grande mídia e a Lava Jato. A elite do atraso é um livro para ser apoiado, debatido ou questionado. Mas será impossível reagir de maneira diferentes à leitura contundente de Jessé Souza aos nossos cânones acadêmicos e midiáticos.

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    Caio Henrique15/10/2017Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O problema do Brasil não é a corrupção

    "A conta do ódio aos pobres foi o empobrecimento de todos." Jessé Souza. O livro é um acerto de contas com a direita e esquerda. Além de conceituar o sociedade brasileira a partir de uma excelente teoria social elaborada ao longo de vinte anos, Jessé Souza não se ausenta do debate político pós-golpe. A leitura desse livro é obrigatória para entender como o país conseguiu chegar na situação que se encontra. Antes de sermos um prolongamento do Estado português, a sociedade brasileira é marcada por uma instituição peculiar na história do Ocidente - a escravidão. O problema do Brasil não é a corrupção. É a desigualdade.

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