em seu livro de estreia, hank green nos apresenta a um universo audacioso e bem menos voltado ao romance do que se esperaria do irmão mais novo de john green, escritor dos best-sellers a culpa é das estrelas e quem é você alasca?, sucessos entre o público jovem. nele, robôs gigantes apareceram misteriosamente em várias das grandes cidades ao redor do mundo, gerando dúvidas entre a população, governos e até mesmo nos maiores especialistas das mais diversas áreas da ciência, por sua composição aparentemente impossível perante tudo o que a humanidade conhece até então. após a possibilidade de uma campanha publicitária ser descartada nas redes sociais, imediatamente tecnologia alienígena parece ser a única explicação plausível para a situação e, com isso, april may, uma simples designer moradora de nova york e a voz acidental por trás do primeiro contato e primeira documentação para a internet dos novos visitantes do planeta terra, se encontra em meio aos holofotes como uma das novas celebridades queridinhas do momento, possível traidora da humanidade e embaixadora de toda uma raça alienígena ? que pode ou não ser genocida.
o livro apresenta vários pontos muito interessantes, que o tornaram tão único para mim. irei listá-los a seguir em tópicos, seguindo o exemplo de april may, a nossa narradora em primeira pessoa, que organiza seus pensamentos dessa forma do início ao fim do livro, sempre incluindo, é claro, um ou dois comentários perspicazes e muito bem humorados. então vamos lá:
1. uma das coisas que mais me chamou a atenção é o quão real essa obra consegue ser no que diz respeito à humanidade e ao seu comportamento: a forma como hank conduz os pensamentos, falas e posicionamentos de april em relação ao que acontece ao seu redor, como ela se afunda cada vez mais em meio a fama e a personagem que precisa construir caracterizando e descaracterizado partes da sua própria personalidade, trazendo à tona o reflexo do que tantas pessoas que conhecemos, públicas ou não, têm de pior dentro de si, e que talvez nós mesmos, você e eu, tenhamos, É SIMPLESMENTE GENIAL;
?? NÃO SEI, APRIL ? ELA DISSE, MEIO DESANIMADA. TALVEZ PORQUE TÍNHAMOS CHEGADO PERTO DE TOCAR EM OUTROS ASSUNTOS E, DE NOVO, EU NÃO DEIXEI QUE ACONTECESSE. ? TALVEZ OS CARLS NÃO TENHAM TE ESCOLHIDO POR QUEM ERA, MAS POR QUEM PODIA SE TORNAR.?
2. além da critica voltada a fama e o que a influência pode fazer com as pessoas que a detém, a trama também nos convida a avaliar os impactos no público influenciado de modo geral, apoiadores e opositores, fãs e haters de uma causa, trazendo paralelos muito interessantes à coisas que vivenciamos nos últimos anos. em um determinado ponto do livro, a humanidade se divide em dois lados: as pessoas que estão à favor de carl, e do que ele pode fazer de bom PELA a humanidade, e as pessoas que estão contra carl, que temem o que ele pode fazer CONTRA a humanidade. partindo desses grupos, teorias da conspiração e posicionamentos extremistas tomam conta das redes sociais, de modo semelhante às eleições dos eua em 2016 e às do brasil em 2018, onde houve uma bipolarização em torno de candidatos e em muitas das discussões o respeito foi deixado de lado. mais três paralelos ainda mais atuais são as rixas entre artistas, a cultura do cancelamento e até mesmo as posições sobre a pandemia de covid-19 que ainda estamos vivendo, onde existem grupos anti-vacina, máscaras e isolamento social e o grupo sensato, que é à favor de seguir as recomendações da organização mundial da saúde (OMS);
?ENTÃO CONTRA-ARGUMENTEI QUE AQUELAS PESSOAS ERAM BABACAS INSTÁVEIS, ENTÃO NEM DEVÍAMOS DAR OUVIDOS. MAYA CONCORDOU QUE ERAM TODAS PIRADAS, MAS JUSTAMENTE POR ISSO DEVÍAMOS PRESTAR ATENÇÃO.?
3. e por último mas não menos importante, temos april may e a escrita de hank green. é incrível o quanto april é uma personagem cativante, complexa e cheia de ensinamentos para passar, tanto morais quanto culturais e, além de extremamente inteligente e antenada no que acontece ao redor, independente de qual seja o assunto, ela é muito sincera sobre si mesma, o que não me fez ter dúvidas sobre suas atitudes e erros, mas sim ter empatia e perceber que também sou passível de tais. acredito que hank tenha usado muito do seu conhecimento pessoal para a construção dessa história, e fez isso de forma muito inteligente e sem forçar a barra, o que garantiu uma chuva de conhecimentos científicos misturados à cultura pop.
e como se todas essas coisas supracitadas não fossem o suficiente, é muito fácil se envolver nos dramas pessoais e sobre a carreira de april, de se pegar imaginando seus próximos passos e suas posições e de torcer para que ela enxergue o que vem a seguir. o livro termina de forma absurdamente instigante e cheia de questões e dúvidas para serem resolvidas, deixando todas possibilidades possíveis em aberto para a sequência, um esforço lindo e fútil, que foi publicado pela editora seguinte.
encerro convidando vocês para conhecer esse livro, que é literalmente uma coisa absolutamente fantástica!