Tribos Morais - A Tragédia Da Moralidade Do Senso Comum

    Joshua Greene

    Editora Record
    2018
    490 páginas
    16h 20m
    ISBN-13: 9788501115188
    Português Brasileiro

    Em quais situações devemos ponderar e em quais devemos, simplesmente, confiar em nossos instintos? Nosso cérebro foi projetado para a vida tribal, programado para conviver harmoniosamente com um conjunto de indivíduos de mesmas crenças, hábitos e valores, e para lutar contra aqueles que não façam parte do grupo. No entanto, à medida que o mundo se encolhe, as linhas morais que nos separam se tornam mais pronunciadas e mais intrigantes, resultando em confrontos épicos, e nos perguntamos quando — se é que algum dia — chegaremos a um consenso. Neste livro, Greene desvenda a estrutura profunda dos problemas morais, estabelecendo as diferenças entre os conflitos modernos que enfrentamos e aqueles outros que o nosso cérebro foi condicionado a solucionar. Com base em dilemas da filosofia e em experimentos psicológicos, o autor mostra como o tipo certo de reflexão pode nos ajudar a progredir, buscando transformar esse novo entendimento em uma filosofia moral universal que os membros de todas as tribos humanas possam partilhar.

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    Danilo Serpa31/03/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    RESENHA:

    Em Tribos Morais nos temos uma leitura acessível e bastante didática, também é em certo modo, um bom primeiro encontro com problemas de moralidade para quem nunca teve contato prévio com a área. Em alguns trechos, a argumentação do autor pode soar repetitiva, e alguns problemas apresentados podem parecer banais para que já tem leituras prévias a respeito, no entanto, é bom ter em mente que a escrita visa atingir todos os públicos interessados, inclusive os marinheiros de primeira viagem. Aqui nos temos duas abordagens principais, uma, focada na psicologia moral, outra, na filosofia moral. No que diz respeito a psicologia moral, Joshua Greene se sai bem, com explicações e teorias bem amarradas de como funciona nosso processo de formação do julgamento moral e do pensamento moral em si. Ainda que possam haver outras teorias concorrentes na psicologia moral, aquela a qual ele opta por defender, é apresentada com uma argumentação solida, e com evidências empíricas. Já quando o autor de aventura na filosofia moral, o caminho é um bocado mais cheio de pedregulhos. Joshua Greene se coloca como um convicto defensor do utilitarismo, com essa perspectiva em mente, ele parte para tentar denfender tal escola de pensamento moral, como ideal para uma metamoralidade. Aqui as coisas se complicam, pois ele precisa se esquivar de algumas críticas bem pertinentes que o utilitarismo sofre de outras doutrinas morais. Em geral, as críticas mais contundentes tratam do fato de que, uma vez que o prima facie do utilitarismo é a defesa duma felicidade geral (maximização geral de felicidade ou bem-estar), os meios de atingir tal felicidade, por vezes passam por cima dos interesses e necessidades de alguns indivíduos, em prol do bem maior. Peter Singer (outro autor utilitarista), se esquivou dessa crítica postulando que o bem-estar geral é desejável, desde que haja no caminho para se chegar a ele, o respeito de interesses individuais. Joshua Greene não adota essa saída, mas outra, coloca que o utilitarismo, cá chamado de pragmatismo profundo, deve seguir seus princípios a medida do que for plausível no mundo real. Assim ele crê resolucionar dois dos principais problemas: O primeiro - a imparcialidade excessiva do utilitarismo, segundo o qual, deveríamos ajudar a todos igualmente e pensar em todos igualmente, pois nossa vida não possui valor moral maior que as demais, logo, os recursos que temos deveriam ser disponibilizados igualmente aos outros. A crítica que utilitaristas recebem aqui, é que tal filosofia moral é muito exigente, mais do que nós conseguimos ser capazes de seguir. A saída que ele adota, é falar que devemos ajudar a todos dentro do que for plausível e do que não for irreal as nossas capacidades e ao nosso autossacrifício. O segundo, se trata, como aludido um bocado acima no texto, das situações em que os interesses de poucos seriam sacrificados em prol do bem-estar maior. Quanto esse problema, ele tenta persuadir o leitor de que os exemplos hipotéticos dados como críticas por filósofos (ex: escravizar 10% da população para fazer feliz outros 90%), são exemplos que não funcionariam na realidade, porque segundo a argumentação do autor, na realidade tais eventos não maximizariam a felicidade geral, mas piorariam (o porquê ele conclui isso, eu deixo a cargo da leitura de vocês). No fundo, ele busca dizer que tais atitudes não são plausíveis no mundo real e que devemos seguir linhas morais de acordo com a plausibilidade de serem adotadas no mundo real. Com isso, Joshua Greene elimina os problemas que a rigidez de princípios do utilitarismo trazem consigo, mas ele cai em outro problema, o julgamento de até onde seguir os princípios, fica um bocado subjetivo. Até onde devemos nos sacrificar por outros? Até onde alguns pequenos interesses podem ser desrespeitados? Até onde algo é plausível no mundo real? Não temos uma régua objetiva para medir, e é aí que mora a maior limitação da defesa que ele faz do utilitarismo. A leitura vale a pena, um tanto mais se puder ser confrontada com as defesas que outros filósofos fazem de outras escolas de pensamento moral.

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