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    A Morte da verdade - Notas sobre a mentira na era Trump

    Michiko Kakutani

    Intrínseca
    2018
    272 páginas
    9h 4m
    ISBN-13: 9788551003862
    Português Brasileiro
    4
    660 avaliações
    Leram940Lendo95Querem1388Relendo2Abandonos35Resenhas71
    Favoritos49Desejados1388Avaliaram660

    Vivemos em uma época em que qualquer ideia objetiva da verdade é ridicularizada, sobretudo no cenário sociopolítico norte-americano. Teorias da conspiração e ideologias que já haviam sido totalmente desacreditadas voltaram a ter voz na cultura, questionando o que já foi estabelecido pela ciência. A sabedoria das massas se impôs ao conhecimento e cada um de nós tende a se ater às crenças que validam nossos próprios preconceitos. Mas por que a verdade se tornou uma espécie em extinção? Em A morte da verdade, Michiko Kakutani, crítica literária do The New York Times por quase quatro décadas e vencedora do Prêmio Pulitzer, explica como as forças culturais contribuíram para essa catástrofe da contemporaneidade. Seja nas redes sociais, na literatura, na TV, no mundo acadêmico ou na política, é possível identificar tendências que colocaram a subjetividade sobre um pedestal em detrimento da realidade, da ciência e dos valores comuns. Nesse cenário de descaso pelos fatos, da substituição da razão pela emoção e da corrosão da linguagem — que diminuem o próprio valor da verdade —, o que pode acontecer com os Estados Unidos e com o restante do mundo?

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    Diogo Didier picture
    Diogo Didier30/06/2020Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    O livro, escrito por Michiko Kakutani, se propõe a fazer uma análise sobre o momento político-social atual com a ascensão da extrema direita e direita alternativa a partir da manipulação do clima social utilizando artifícios como as fake news e a polarização de discursos. Dentre as falhas argumentativas, a que ficou mais evidente foi uma contradição no discurso que baseou o livro inteiro. Num momento, a autora diz que a grande massa populacional sabe que os líderes demagogos e populistas, como Trump, mentem para consegui e se elegerem e se manterem nos cargos. Porém, a grande solução proposta, rasa e simplista, é educar a população e fortalecer a imprensa séria, que checa os fatos antes de publicá-los. Ora, se o povo, nas palavras da autora, tem ciência das fakes news e preferem virar o rosto, e, quando confrontados (ainda segundo a autora), dizem que é uma excelente estratégia do governante mentir, não é através da imprensa que vamos mudar essa realidade. Educar é, sim, essencial, mas para dar à população a base para o pensamento crítico. A imprensa é fundamental, mas não como solução para o problema exposto. Outro ponto é o amor dela, não pela democracia pura, mas pela democracia no sistema capitalista. O sonho americano inalcançável e inabalável faz parte do problema uma vez que, quando se vende esse ideal e grande parte da população não tem acesso, causa revolta. Ela, ao invés, joga culpa na Rússia, nos trolls da Internet, nos bots, em Lenin (que ela ainda joga no mesmo saco de Hitler) e, por fim, no pensamento pós-moderno. Sim, é preciso blindar a ciência (sem deixar de fora os conhecimentos ancestrais de culturas não-europeias) e também é necessário haver uma base em comum para os fatos de modo que "fatos alternativos" e "pseudociências" percam a força alcançada atualmente. Mas Trump e similares usarem desses artifícios escusos e imorais não tem como precursores os movimentos feministas e de esquerda quando trouxeram à tona outras vozes e outras histórias. Nesse caso, tais movimentos tentavam reparar erros históricos em histórias eurocêntricas, patriarcas, machistas, racistas e lgbtfóbicas. O cinismo e a negação do pós-modernismo pouco tem a ver com os líderes de hoje. De fato, deve-se ir a fundo na interferência russa em eleições ao redor do mundo (algo que os EUA já fizeram menos sutilmente, diga-se de passagem), porém jogar boa parte da culpa em uma nação estrangeira é mais fácil, mais palatável. Sem perceber, ela alimenta o mesmo discurso de ódio que tanto refuta. Digo isso porque outros pontos como a era do egocentrismo das selfies e o racismo ficam relegados a poucas páginas da discussão. Este último, inclusive, Kakutani ainda arruma um jeito de botar na conta dos russos por eles terem usado de artifícios para aumentar essa divisão e incitar o ódio. Por fim, é um livro repetitivo. Da primeira à última página, ela repete os mesmos argumentos e chega às mesmas conclusões.

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    Michiko Kakutani

    Michiko Kakutani foi crítica literária do The New York Times por quase quatro décadas. Considerada uma das melhores críticas de literatura em língua inglesa, ajudou a alçar a carreira de escritores como David Foster Wallace, George Saunders e Ian McEwan. Em 1998, foi agraciada com o Prêmio Pulitzer, um dos mais importantes do mundo.

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    5 Seguidores

    Michiko Kakutani