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    A Política da Fé e a Política do Ceticismo (Coleção Abertura Cultural) -

    Michael Oakeshott

    É Realizações
    2018
    232 páginas
    7h 44m
    ISBN-13: 9788580333510
    Português Brasileiro
    4.2
    39 avaliações
    Leram50Lendo16Querem208Relendo0Abandonos0Resenhas6
    Favoritos6Desejados208Avaliaram39

    Michael Oakeshott é, ao lado de Edmund Burke, Russell Kirk e Roger Scruton, um dos principais representantes do conservadorismo em língua inglesa. A Política da Fé e a Política do Ceticismo é o seu mais importante livro póstumo. Na obra são apresentadas as duas posturas que polarizam a condução da política desde o início da modernidade. De um lado, a política da fé, que confia na capacidade governamental de solucionar problemas. De outro lado, a política do ceticismo, que, ao invés de instituir um fim comum aos cidadãos, assegura que os indivíduos disponham de espaço para seguir os seus propósitos. As duas atitudes são inelimináveis no mundo moderno, e ambas apresentam riscos; a predominância da política da fé, no entanto, leva o autor a enfatizar a necessidade de aprendermos com o pensamento cético. Esta edição conta com prefácio do filósofo Luiz Felipe Pondé; introdução da maior autoridade nos estudos sobre Oakeshott, Timothy Fuller; e posfácio do tradutor do volume e pesquisador da obra oakeshottiana, Daniel Lena Marchiori Neto.

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    Resenhas (6)Ver mais
    Eduardo Fonseca picture
    Eduardo Fonseca23/01/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Oakeshott faz ótimo trabalho ao analisar a política europeia moderna e demonstrar que ela se desenvolve na relação entre dois estilos diferentes (e extremos) de fazer política: a política de fé e a política de ceticismo. A primeira, tente alcançar a “perfeição” humana e utiliza o Governo como uma ferramenta para se alcançar esse fim último da humanidade. A segunda, a seu turno, não acredita em “perfeição” humana e é extremamente cética no que diz respeito ao uso do poder governamental. Justamente por isso, utiliza o Governo tão somente como uma ferramenta de estabelecimento de ordem social e manutenção de um sistema de direitos e deveres. E ambas, quando agem sozinhas e sem o contrapeso da outra, são autodestrutivas (o que ele chama de “nêmesis”). A escrita é fluída e a análise desenvolvida, em que pese seja bastante direta, é bastante profunda. O autor não esconde sua preferência: como um autor conservador, ele demonstra uma clara preferência pela política de ceticismo, tradição a que pertencem nomes como Hume, Burke, Locke e Hobbes. Talvez seja por isso que ele “pega mais pesado” com as críticas à Fé do que ao Ceticismo. Isso fica claro quando o autor deixa claro que a nêmesis da Fé ocorre pelo seu excesso de vícios, enquanto a nêmesis do Ceticismo ocorre pelo seu excesso de virtudes. Oakeshott não dá nenhuma solução pronta, mas esboça o que qualquer agente político prudente deve fazer diante dessa polaridade: buscar uma zona de equilíbrio, evitando que os dois estilos de política se destruam, seja pela destruição da política ocasionada pela Fé, seja pelo imobilismo ocasionado pelo Ceticismo.

    3 curtidas

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    • 5 estrelas28%
    • 4 estrelas54%
    • 3 estrelas13%
    • 2 estrelas5%
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    Michael Oakeshott profile picture

    Michael Oakeshott

    Foi um professor, filósofo e teórico político inglês, um dos mais importantes nomes do conservadorismo britânico. Após se graduar em história pela universidade de Cambridge, decide se alistar no exercito a fim de lutar contra os nazistas. Após a segunda grande guerra, Oakeshott retorna à vida acadêmica em Cambridge, posteriormente lecionando em Oxford e finalmente se aposentando na London School of Economics. Seguiu escrevendo até o ano de 1990, quando morreu aos 89 anos. Também foi um dos mais expressivos representantes da filosofia crítica da História na Inglaterra do século XX, rompendo com a tradição positivista e empiricista que condicionou naquele país a reflexão sobre o conhecimento do passado. Sendo conservador, no sentido britânico, apresenta-se como cético. E acusa os chamados "progressistas" de serem defensores de uma política de fé. No mundo moderno, sustentou Oakeshott, a principal expressão da política de fé é o "racionalismo em política". Para o filósofo, não há um projeto de sociedade ideal que deveria ser sobreposto à realidade existente; ao contrário: parte-se desta sociedade e da acumulação de instituições que ao longo da história demonstraram na prática trazer resultados positivos. Segundo Oakeshott, a inclinação conservadora advém do sentimento de quem tem algo a perder, algo que se aprendeu a valorizar.

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    12 Seguidores

    Michael Oakeshott