Bento Santiago is madly in love with his neighbour, Capitú. He even breaks a promise his devout mother made to God - that he become a priest - in order to marry her. But, once wed, Bento becomes increasingly convinced that Capitú is having a torrid affair, that his son is not his own, and that his best friend has cuckolded him. What follows is a rich and sardonic narrative, as Bento attempts to discern his son’s paternity. Are his suspicions actually based in reality or have his obsessive ruminations given way to deceptive illusions? Originally published in Brazil in 1900, Dom Casmurro is widely considered Machado de Assis’s greatest work and a classic of Brazilian realist literature. It is a delightful and hilarious novel - told by an entertainingly unreliable narrator - about the powers of jealousy and the deceitful persuasiveness of a mind in the grip of paranoia. ‘If Borges is the writer who made García Marquez possible then it is no exaggeration to say that Machado De Assis is the writer who made Borges possible.’ - Salman Rushdie ‘The greatest writer ever produced in Latin America.’ - Susan Sontag ‘Machado de Assis is a great ironist, a tragic comedian. In his books, in their most comic moments, he underlines the suffering by making us laugh.’ - Philip Roth ‘Machado de Assis was a literary force, transcending nationality and language, comparable certainly to Flaubert, Hardy or James.’ - New York Times Book Review
Dom Casmurro (eBook) -
Machado de Assis
Não é Capitu que trai. É Bentinho!!! Só mesmo um escritor com toda a genialidade de Machado de Assis poderia ter criado esse que é um dos maiores enigmas da nossa literatura. Por traz do narrador casmurro ele manipula o leitor. O que Bentinho conta? A história de Capitu? É o que ele quer dar a parecer: a história de Capitu e sua traição. Mas o livro se chama "Dom Casmurro", referindo-se a ele próprio como sendo o desprezado e excluído da boa convivência, quando, na verdade, ele é que despreza as pessoas e delas se isola. Aí o perfeito jogo: ele, o fidalgo (Dom), é que se afasta das pessoas; que se dá a conhecer apenas superficialmente, pois não se aprofunda nas relações; o que se desliga de tudo; o que quer se fazer de coitado para ganhar a piedade dos leitor. Aí a traição de Bentinho. Ele trai o leitor. Mas essa traição - como todas, é lógico - é escamoteada por seu jogo retórico: o reprimido, o recalcado Bentinho dá-nos a ver suas "desconfianças" (aparência) - que nem precisam de provas - acerca do comportamento de Capitu. Ora, o romântico e imaturo personagem, de índole sonhadora que é hábil em encobrir seus próprios sentimentos até mesmo da própria figura respeitada da mãe, inventa ardilosamente... E só lendo nas entrelinhas para descobrir os ardis do narrador (a essência). Assim é Bentinho: um personagem romântico que contempla as estrelas (cap. CVI); um narrador "realista" que nos engana mostrando-nos uma Capitu habilidosa, sutil e prática, que calcula os objetivos a atingir, mas esconde essas características - que tb são as dele - ao traçar o próprio perfil. E mais: ele enfatiza a veracidade e objetividade do que está narrando. Mentira dele! Ele não pode ser imparcial, visto situar-se como protagonista do que conta, sendo subjetivo, claro; e parcial, evidente! Assim é que Bento (a ironia do nome!) trai o leitor desavisado, aquele que se fia nele, que fica no raso (ah! os leitores do Coelho!) através do perfeito jogo retórico em que o engendra. Mas há um outro leitor - aquele que o desmascara. Desse o narrador não obtém a solidariedade e ele fica cada vez mais solitário, mais casmurro, mais desprezado! Esse o enigma maior! Penso que, armando-o, para implantar a dúvida no leitor, Machado, com toda a sua habilidade narrativa, mostra-nos que o mundo das aparências é uma máscara que encobre o da essência: o ser humano é frágil e contraditório. É esse o drama da condição humana: as verdades (?) são frágeis; a natureza humana, também. .
Estatísticas
Avaliações
4.2 / 120857- 5 estrelas43%
- 4 estrelas33%
- 3 estrelas18%
- 2 estrelas4%
- 1 estrelas1%











