O livro é muito fácil de ser lido, tem uma narrativa ágil e uma linguagem simples. E eu acho que é aí que o leitor deve se atentar. Por ser uma leitura aparentemente fácil, o leitor sai enganado com o final dela. Existem diversos pormenores, detalhes que são imprescindíveis para a trama, e que, se não forem percebidos, deixam o leitor perdido. Funciona meio como uma "tática" do autor para deixar o leitor perdido no "labirinto" da história.
No começo a história parece muito clichê, mas quando você percebe o que realmente está acontecendo tudo muda. E conforme vamos avançando na trama, a narrativa vai ficando cada vez mais complexa.
Esse é um daqueles livros que começam no meio de uma história, ou seja, existe muita coisa que aconteceu antes mesmo do primeiro capítulo, e essa percepção fica a cargo do leitor no momento em que ele termina de ler o livro.
Eu achei a sequência final uma coisa muito intensa, até parece um filme do David Lynch. Tem uns trechos que misturam realidade com sonho que chega um ponto em que você acaba desconfiando de tudo.
A meu ver, o deus cadela nada mais seria do que a natureza do ser humano, o seu lado mais primitivo, o instinto, o que de certa forma guiava o protagonista, por isso estar tão presente e tentar protegê-lo.
Não acho que seja um livro para todo mundo, muita gente pode achar chato ou confuso. Vale a pena se você tiver um tempo para se dedicar à leitura. Acredito também que vale mais de uma leitura para conseguir enxergar tudo que o livro se propôs a mostrar.