Dando sequência a saga, iniciei A Retirada dos Dez Mil: Livro 1 com muita vontade de saber mais sobre Perseu e como ele chegou ao encontro de sua amada Artemísia.
A infância de Perseu não me cativou tanto. No entanto, a sociedade espartana e a forma como ela é dividida é muito interessante. Entender que os escravos e terras não são das pessoas que as detêm me surpreendeu bastante.
Gosto muito da forma como a Agogê é tratada. Assim como no treinamento para se tornar amazona da Artemísia, neste volume não temos uma exploração do treinamento que é exaustiva. O autor pontua muito bem os pontos mais interessantes detalhando-os de uma maneira sucinta, mas completa.
Ainda sobre a Agogê, gosto bastante que ao fim de cada dia de treinamento, os garotos devessem se encontrar com os mais velhos e falar sobre o que aprenderam durante aquele dia. Além de fortificar o aprendizado, isso transmite uma forma de que, quando necessário, talvez em combate ou missão, o soldado saberá se reportar detalhadamente aos seus superiores e companheiros.
Particularmente não me envolvi muito com a família de Perseu, não que a descrição desses personagens seja ruim, apenas não me cativou.
A forma de descrição dos companheiros de pelotão (Diómedes, Petrus, Laertes, Atreu e Georgios) é muito eficaz. Assim que somos apresentados aos mesmos, já sabemos suas principais características de do que podem vir a ser capazes. E eles são ótimos companheiros. Gosto mais deles do que as irmãs amazonas de Artemísia.
Este volume também sofre de problemas de edição, tal qual o primeiro que incomodam, mas que não tornam a leitura tediosa. Com exceção de dois momentos.
1 - Quando Perseu vai à cidade com Petrus e Diómedes, e estes os convencem a ir no jardim do Jovem Ciro para caçar, Diómedes é trocado por Laertes, que certamente nunca faria isso.
2 - Era comum que Perseu visse Artemísia passar em seu cavalo com seu elmo de crina de cavalo característico. Em um dos momentos ele pensa Capacete no lugar de elmo. É um erro muito pequeno para me incomodar, mas ainda sim achei chato. Desde o volume anterior, fica estabelecido que a panóplia desta época é contém elmos, não capacetes.
O volume mantém a boa estrutura de livro, há um ponto ou outro em que poderia ter uma diminuição de descrições, como quando em um determinado capítulo sabemos a origem dos companheiros de pelotão e no capítulo seguinte temos praticamente a repetição dessas informações. Também no início do grande confronto quando temos duas vezes seguidas a descrição das carruagens de guerra de Artaxerxes ou de seu pelotão.
Tenho que destacar também um ponto de continuidade que me incomoda. Na batalha de retomada/defesa do acampamento, Perseu perde sua lança ao arremessa-la e atingir um cavaleiro, que em sua queda a quebra, e Perseu é obrigado a utilizar sua espada até que o pelotão se reorganize. No próximo ataque, Perseus está novamente com um lança. É claro que ele poderia ter se reequipado com a arma de um companheiro ou inimigo caído, mas isto não nos é dito e senti muita falta desta informação.
Achei o livro muito interessante e principalmente o maniqueísmo da relação dos amantes. Um fato muito legal que não está estabelecido em Artemísia: A Guerreira Amazona é que o exército Grego é composto por gregos que se alistaram para esta guerra e não por um batalhão já montado.
A Retirada dos Dez Mil é um livro que nos prende, que a cada batalha eu pensava quem morreria ali, pois na primeira batalha do melhor aluno da Agogê daquele ano, morreu. E o melhor de tudo, sabemos agora porque o ataque ao exército de Artaxerxes não foi bem sucedido e temos um novo "como irão se safar desta".
Com certeza continuarei a saga em breve.