A Odisséia de Penélope -

    Margaret Atwood

    Elsinore
    2018
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-13: 9789898864444
    Português

    Agora é a minha vez de contar umas histórias. Devo-o a mim mesma. Outrora, as pessoas ter-se-iam rido, mas, agora, quem se rala com a opinião pública? Com a opinião das gentes aqui em baixo, a opinião das sombras dos ecos? Assim sendo, vou fiar o meu fio.» Penélope, imortalizada pela lenda e pelo mito, exemplo de temperança, sinónimo de esposa paciente e fiel, tece durante o dia e destece durante a noite os fios do seu tear para afastar os pretendentes, enquanto aguarda pelo regresso incerto do seu marido, o famoso herói, Ulisses. Mas a Odisseia não é a única versão possível desta história. Agora que Penélope, há muito morta e esquecida pelo mundo, vagueia pelos infernos, pode finalmente contar a sua própria versão dos acontecimentos: um relato contundente e divertido sobre luxúria, ganância e violência, onde os mitos se desfazem e ninguém é poupado.

    Edições (2)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover

    Similares (16)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    Resenhas (175)Ver mais
    Leila de Carvalho e Gonçalves  picture
    Leila de Carvalho e Gonçalves 17/04/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    As Doze Escravas Enforcadas

    Lançado em 2005 nos Estados Unidos e Brasil, Penelopiad no original ou A Odisseia De Penélope acaba de receber uma edição digital pela Editora Rocco. Com apenas 120 páginas, a novela gira em torno de questões não respondidas na Odisseia, de Homero. Tendo como fulcro complicações relacionadas as divisões de classe e gênero, o comando da narrativa fica a cargo tanto de Penélope, nos salões do Hades, assim como de um coro formado por suas doze escravas enforcadas sem razão aparente por ocasião do retorno de Odisseu à Ítaca. O resultado desafia a glorificação do ardiloso Herói e até mesmo ousa ferir a irrepreensível reputação de sua esposa, sempre reativa as atitudes Odisseu. Em linhas gerais, o leitor está diante de uma releitura pós-moderna da sequência da Ilíada, estruturada por diferentes estilos narrativos, poéticos e dramáticos. Como exemplos, há desde uma aula de antropologia, um julgamento e uma pastoral. Concomitantemente, Atwood também emprega diferentes técnicas, como a comédia, escolhida para amenizar o conteúdo trágico da história, além da sátira e o anacronismo que redimensionam o desfecho extravagante, inesperado e improvável que comum ao teatro grego é conhecido pelo termo latino “Deus ex machina”. Em linhas gerais, A Odisseia de Penelope aborda intrigas palacianas e confrontos familiares tensionados pela presença de uma horda de pretendentes à mão da rainha que oneram a prosperidade de Ítaca e colocam em risco a posição de Telêmaco, filho único e herdeiro ao trono. Por sinal, ela não exige prévia leitura da Odisseia de Homero, a escritora coloca o leitor a par das informações indispensáveis, conforme a história se desenrola. Enfim, a narrativa pode não agradar a todos, ao oferecer um final em aberto e propor uma versão mundana e prosaica da saga. Entretanto, há de se reconhecer o mérito do estratagema empregado por Atwood: dar voz a personagens silenciadas. Ele é muito interessante e indubitavelmente a literatura tem muito a oferecer sob essa perspectiva.

    70 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.8 / 966
    • 5 estrelas19%
    • 4 estrelas38%
    • 3 estrelas33%
    • 2 estrelas8%
    • 1 estrelas2%