Capa linda, diagramação caprichada... Eu realmente queria muito ler este livro. Ainda assim, quando comecei, acabei enrolando a leitura, passando outros livros na frente. Quando finalmente tomei vergonha na cara e peguei pra ler de verdade... Que decepção comigo mesma por não ter lido antes!
A história se divide em três narrações: Olívia, Sophie e outro personagem, que não sabemos quem é no começo do livro. O mais interessante é que os três narradores têm suas histórias paralelas, mas que se cruzam em alguns momentos. É delicioso quando você vê as histórias que parecem tão diferentes se conectando, e a visão de outro personagem sobre determinado acontecimento. Foi algo bem construído mesmo.
Agora, algo que me encantou infinitamente foi a descrição dos cenários que Gabrielle nos trás. Eu nunca fui a Belo Horizonte e, ainda assim, quase pude visualizar cada lugar. Não entenda errado, não é uma descrição minuciosa, daquelas que chega ao ponto de ser entediante. Ela nos passa a quantidade necessária de informações para que você consiga se situar e imaginar com facilidade.
No quesito romance, alguns momentos não consegui evitar associar <i>Angellore</i> com <i>Crepúsculo</i> (o primeiro livro da série mesmo). Mas, apesar de já imaginar o que ia acontecer, e de estar torcendo por um futuro triângulo amoroso, confesso que gostei.
Lendo a sinopse, lembro de ter pensado que Olívia era a principal, mas, lendo o livro, considero Sophie como sendo. Portanto, achei que esta personagem foi mais bem construída do que a outra. Ainda assim, ambas são interessantes. Só gostaria de ter conhecido melhor um pouco da história da Olívia, assim como conheci da Sophie. E então temos Nicolae, o misterioso e sombrio. Ele tinha tudo para ser o tipo de personagem para o qual eu torço o nariz, mas algo no humor irônico dele me conquistou.
Outro ponto importantíssimo em uma ficção é o desenvolvimento da mitologia que sustenta a obra, e novamente Gabrielle fez isso muito bem. Na medida do possível (já que estamos tratando de uma série), tudo ficou bem explicado, coerente e plausível. Diferente de algumas séries, no primeiro volume de <i>Angellore</i>, “Sussurro Noturno”, não são apenas levantadas questões que só serão respondidas depois, algumas coisas já são explicadas, e eu agradeço muito por isso. Também tem aquela nota de interligação com a realidade, da qual sou simplesmente fã. Aliás, por falar em ser fã, adorei como a autora não forçou um vocabulário exagerado, como certos autores nacionais que já vi, que usam palavras que nem professores de português usam.
Finalmente, gostaria de repetir que <i>Angellore</i> foi surpreendente. Dos livros nacionais atuais que eu li, este ainda é o melhor. As porções de ficção, romance e suspense são apresentadas nas doses certas, e em diversos momentos eu me vi pensando: “Esse livro poderia virar um filme, ficaria muito bom”. Em minha opinião, Gabrielle mostra o potencial da literatura brasileira e, portanto, eu recomendo a leitura. O único ponto negativo é que, assim como eu, você ficará ansioso pela continuação.