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    Cómo desaparecer completamente -

    Mariana Enríquez

    Emece Editores
    2004
    216 páginas
    7h 12m
    ISBN-10: 9500425904
    Espanhol
    4.6
    5 avaliações
    Leram6Lendo0Querem43Relendo0Abandonos0Resenhas3
    Favoritos2Desejados43Avaliaram5

    Un cuñado asesinado por um dealer, una hermana con la cara desfigurada por un tiro errado en un suicidio frustrado, una madre que apenas atina a tomar las pastillas suficientes que le aseguren un sueño profundo, un padre que, luego de abusar de Matías durante años, los abandonó, embriagado con fervor evangelista, para armar otra familia en una sórdida pajarera, y un hermano que después del asesinato del cuñado decidió viajar a Europa. Dentro de la desesperación que campea en sua familia, Matías asiste como testigo mudo al drama de un grupo por demás disfuncional. Odia su casa y el barrio - la policía ya casi no entra en la villa lindera por la cantidad de delincuentes que la controlan. Atrapado en la abulia de la ausencia de porvenir, trata de apartar el encierro que lo asfixia y sale al mundo a la búsqueda de otra vida posible. Cuando un amigo le deja un gran paquete de cocaína para que se lo guarde, ve la oportunidad de comenzar su verdadera huida. Mariana Enriquez ha escrito una novela de marginalidad y desolación, con un protagoista que está dispuesto a arriesgar todo lo que tiene para darle forma a su vida.

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    Lethycia Dias picture
    Lethycia Dias22/01/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Sobre inércia

    Matías Kovac é um jovem sem muita perspectiva vivendo em um lar desestruturado. Na infância, sofreu abuso sexual pelo pai, que depois abandonou a família para se casar novamente. A irmã, casada com o maior traficante local, desfigurou o próprio rosto ao tentar suicídio quando soube da morte do marido. O irmão que foi para Barcelona e há muito tempo não manda notícias, e deixou para trás cadernos misteriosos. A mãe negligente, fanática religiosa. O sobrinho crescendo sem os cuidados de que necessita. A realidade de Matías é uma realidade de falta de afeto e inércia. Ele odeia a casa e o bairro em que vive, a mãe, a irmã, e sonha em procurar pelo irmão Cristián. Mas ao mesmo tempo, parece entregue a um cotidiano repetitivo de não fazer nada. Até que um conhecido lhe deixa uma grande quantidade de drogas, que ele pretende vender para ter o dinheiro de que precisa para ir embora. A narrativa é em terceira pessoa, mas nos permite mergulhar no mundo de Matías, conhecer sua timidez, seu ódio, sua raiva, sua insegurança e o humor negro com que as vezes encara as coisas. Esse é um livro de quebra de expectativas, como os contos da autora que li em "Las cosas que perdimos en el fuego". Não por me decepcionar, pelo contrário, mas porque decepciona os personagens. Não é uma história feliz ou de superação, tampouco um romance de formação ou de descobertas, porque não há lugar para Matías, e ele erra, se engana e se frustra, e de repente chora e se envergonha. O mundo é cruel, as costas doem e é impossível dormir, mas a gente acredita em Matías e torce por ele. O final é otimista, porém condizente com a história. Esse livro foi um presente de um conhecido que está morando na Argentina, e creio que está esgotado no Brasil, sequer tendo tradução. Para quem tiver a oportunidade de ler, recomendo. Para quem não puder, indico "As coisas que perdemos no fogo", único livro da autora traduzido para o português.

    3 curtidas

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    Avaliações

    4.6 / 5
    • 5 estrelas80%
    • 4 estrelas0%
    • 3 estrelas20%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    Mariana Enríquez profile picture

    Mariana Enríquez

    Mariana Enríquez (Buenos Aires, 1973) é uma escritora e jornalista argentina. Considerada uma das integrantes da "nova narrativa argentina", destaca-se no gênero Horror, fortemente relacionado a questões políticas mescladas ao Sobrenatural. Pode-se afirmar, com segurança, que Mariana Enriquez é um dos principais nomes da literatura de Horror atual. Como Contista, a argentina já havia assombrado e fascinado leitores de todo o mundo com a coletânea "As Coisas Que Perdemos No Fogo", publicada em 25 países – no Brasil, a obra chegou em 2016. Outro conjunto de narrativas breves de sua autoria, intitulado "Los Peligros de Fumar en la Cama (publicado originalmente em 2009 na Argentina – e em 2023, no Brasil, intitulado "Os Perigos de Fumar Na Cama"), teve grande repercussão em países anglófonos – soma-se a isso o fato de a tradução dessa coletânea para o inglês realizada por Megan McDowell ter sido finalista do prestigiado International Booker Prize. Com o Romance "Nossa Parte de Noite", publicado em 2019 na Argentina e na Espanha, e em 2021, no Brasil, a recepção ao trabalho de Enriquez atinge um novo patamar. Sua obra vem gozando de enorme sucesso de crítica – êxito sustentado pela conquista de importantes prêmios internacionais, como o 'Herralde', da Espanha, – e de público, figurando em inúmeras listas de "Melhores Leituras do Ano" de suplementos literários e de outros veículos especializados. "Nossa Parte de Noite" relata a luta de um médium, Juan, para salvar Gaspar, seu filho, de um terrível destino envolvendo uma sociedade secreta, a Ordem. É uma história de estrutura ambiciosa e não linear, com núcleos que ora avançam, ora recuam no tempo, e de proporções monumentais, com mais de 500 páginas. Trata-se, sobretudo, de um grande Romance de Horror: as quatro partes que o compõem dialogam, cada uma, com diferentes correntes do gênero. E a escrita apresenta a intencionalidade que caracteriza a Ficção do arrepio, sendo permeada por imagens memoráveis e assustadoras. A expressão do Sobrenatural em Enriquez também carrega uma singularidade: a de se afastar de vertentes comumente associadas à Ficção argentina, como o Neofantástico, termo criado pelo pesquisador Jayme Alazraki para designar um tipo de narrativa que subverte o real discreta e lentamente, em um procedimento diverso da súbita ruptura muitas vezes encontrada em obras do Fantástico oitocentista. Nos Contos e no Romance da autora, essa ruptura ocorre e volta a tornar-se agente do assombro. Mas não só: contribuem para o Horror uma escrita hipnótica, a minuciosa construção de personagens e um poderoso subtexto social, relacionando Poder e Ocultismo. Entrevista: file:///D:/Downloads/193430-Texto%20do%20artigo-533648-1-10-20211221.pdf

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