Sou fã desse escritor. Já havia lido "A última tentação de Cristo" e "O pobre de Deus". Obras fantásticas e pungentes.
Gosto da maneira como ele escreve, de coração aberto. As palavras e as cenas têm sabor, às vezes doce, às vezes amargo. E essa intensidade consegue deixar meus olhos, volta e meia, emocionados.
Sua marca principal é levantar dualidades, como corpo e alma, bem e mal, individual e coletivo etc, na tentativa de síntese. E para isso, ele se debruça sobre diversas religiões e filosofias, fazendo do próprio autor um instigante personagem.
Não foram poucas vezes nesse livro, que chorei. Tive vontades repentinas de sair pelas ruas distribuindo comida. Inclusive, foi lendo um livro desse autor, que a escritora Hilda Hist teve um rompante de inspiração que abalou sua vida. A obra que causou isso nela foi "Relatório ao Greco", traduzido do inglês por Clarice Lispector, que já estou esperando chegar pelos Correios. Sempre quis ler. Consegui encontrar agora, com tradução direto do grego.
Sobre "O Cristo recrucificado", a história trata de uma tradição em uma aldeia cristã grega dominada pelos árabes turcos, em que na Páscoa, algumas pessoas do lugar são escolhidas um ano antes para representar a Paixão de Cristo.
Só que dessa vez os atores encarnam a sério os personagens, e isso vai desencadeando situações cômicas e trágicas, levantando ao limite a própria Paixão, e indo além, ao mesclá-la à situação regional.
Kazantzakis sabe cantar a sua aldeia e, por isso, se faz universal, pois a humanidade da narração é impecável. Sou fã. Ainda lerei toda a sua obra. Não ganhou o Nobel por pouco. Mas, sem dúvida, mereceu.
Recomendo sem receio.