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    O Cristo Recrucificado (Os Imortais da Literatura Universal #28) -

    Nikos Kazantzakis

    Abril Cultural
    1971
    519 páginas
    17h 18m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.3
    135 avaliações
    Leram243Lendo28Querem275Relendo2Abandonos10Resenhas8
    Favoritos14Desejados275Avaliaram135

    Existia um antigo costume na aldeia grega de Licóvrissi: a cada sete anos, por ocasião da Páscoa, se dramatizava a Paixão e Morte do Cristo. Os protagonistas desta dramatização eram escolhidos entre os próprios habitantes da aldeia e o critério usado para essa seleção era, não só a maior semelhança física, como também o comportamento moral do escolhido. Por essa mesma ocasião, chega na aldeia um grupo de esfaimados e esfarrapados que fugiam dos turcos que haviam invadido e saqueado a cidadezinha onde moravam. Pedem proteção à população, mas somente a personagem "Cristo" sai em defesa dos refugiados - e de repente o drama da Paixão de Cristo torna-se realidade.

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    Resenhas (8)Ver mais
    Glauber Costa Fernandes picture
    Glauber Costa Fernandes11/05/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Escrita pungente.

    Sou fã desse escritor. Já havia lido "A última tentação de Cristo" e "O pobre de Deus". Obras fantásticas e pungentes. Gosto da maneira como ele escreve, de coração aberto. As palavras e as cenas têm sabor, às vezes doce, às vezes amargo. E essa intensidade consegue deixar meus olhos, volta e meia, emocionados. Sua marca principal é levantar dualidades, como corpo e alma, bem e mal, individual e coletivo etc, na tentativa de síntese. E para isso, ele se debruça sobre diversas religiões e filosofias, fazendo do próprio autor um instigante personagem. Não foram poucas vezes nesse livro, que chorei. Tive vontades repentinas de sair pelas ruas distribuindo comida. Inclusive, foi lendo um livro desse autor, que a escritora Hilda Hist teve um rompante de inspiração que abalou sua vida. A obra que causou isso nela foi "Relatório ao Greco", traduzido do inglês por Clarice Lispector, que já estou esperando chegar pelos Correios. Sempre quis ler. Consegui encontrar agora, com tradução direto do grego. Sobre "O Cristo recrucificado", a história trata de uma tradição em uma aldeia cristã grega dominada pelos árabes turcos, em que na Páscoa, algumas pessoas do lugar são escolhidas um ano antes para representar a Paixão de Cristo. Só que dessa vez os atores encarnam a sério os personagens, e isso vai desencadeando situações cômicas e trágicas, levantando ao limite a própria Paixão, e indo além, ao mesclá-la à situação regional. Kazantzakis sabe cantar a sua aldeia e, por isso, se faz universal, pois a humanidade da narração é impecável. Sou fã. Ainda lerei toda a sua obra. Não ganhou o Nobel por pouco. Mas, sem dúvida, mereceu. Recomendo sem receio.

    8 curtidas

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    Avaliações

    4.3 / 135
    • 5 estrelas53%
    • 4 estrelas27%
    • 3 estrelas13%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas3%
    Nikos Kazantzakis profile picture

    Nikos Kazantzakis

    Foi um poeta, novelista, dramaturgo e filósofo grego. Mestre da literatura grega do século XX, ficou conhecido como um brilhante revitalizador dos mais diversos gêneros literários. Para fugir da instabilidade política na ilha de Creta, seus pais inscreveram-no em uma escola de padres franceses na ilha de Naxos. Depois estudou direito em Atenas (1902-1906) e filosofia em Paris, onde durante dois anos (1907-1908) foi aluno de seu tutor, o filósofo Henri Bergson. Depois, como correspondente estrangeiro de imprensa, viajou por Espanha, cobrindo a Guerra Civil Espanhola para um jornal grego, Reino Unido, União Soviética, Egito, Palestina e Japão, enquanto escrevia, incluindo poemas, reflexões filosóficas e comentários de viagens. Lançou Odíssa (1938), poema de 33.333 versos que pretendia ser um prolongamento da célebre obra de Homero. Durante os primeiros meses da Segunda Guerra Mundial, trabalhou para Conselho Britânico, em Londres (1939-1940), deixando o posto para retornar à Grécia, onde viveu sob a ocupação alemã. Envolvido na política nacional, foi nomeado Ministro da Educação (1945) e tornou-se dirigente do partido socialista grego (1946). O prestígio internacional do autor veio com romance Víos kai politía tou Aléxi Zormpá (1946), o famoso Zorba, o grego que também fez grande sucesso quando adaptado para o cinema (1964). Por um curto período morou na Inglaterra (1946) e depois radicou-se na praia francesa de Antibes, onde escreveu O kapetfán Mikhális (1950), os romances filosóficos O khristós xanastavrónetai (1954) e O televtaíos pirasmós (1955), levado ao cinema como A última tentação de Cristo (1988). Suas obra literária abrangeu de ensaios filosóficos como Asketiké (1927), poesias e tragédias e traduções de obras clássicas da literatura, como a Divina comédia de Dante e o Fausto de Goethe. Durante uma viagem à China, adoeceu, foi transferido para Copenhague e depois para um hospital em Freiburg im Breisgau, Alemanha, onde infelizmente morreu aos 71 anos e foi enterrado em Heráclion, sua cidade natal, na Ilha de Creta.

    20 Livros
    59 Seguidores

    Nikos Kazantzakis