Primeiro romance gótico alemão, "O Aparicionista: Das memórias do conde de O**" (1789) de Friedrich Schiller, encanta por seu enredo complexo e seu estilo diverso, por também ser ora um romance filosófico ora um romance detetivesco.
Narra as desventuras do Conde de O** e seu amigo, um jovem príncipe não disposto a cumprir suas obrigações regentes. Os dois viajam a Veneza, buscando não revelar publicamente as suas origens, usufruindo por um tempo de uma vida comum. Porém, acontecimentos estranhos e supostamente inexplicáveis envolvendo necromantes e sociedades secretas traçam o destino dos dois amigos, fazendo-os questionar suas crenças e filosofias, ao mesmo tempo em que tentam explicar de maneira racional os fatos.
O livro é dividido em duas partes. Deveria haver uma terceira, mas infelizmente o autor nunca chegou a concluir a obra, e apesar do final em aberto, algumas anotações de Schiller nos ajudam a conjecturar como talvez seria o fim do romance. A primeira parte é bastante envolvente, o mistério e o suspense presentes em cada evento faz querer não parar de ler para saber como será o desfecho. Já a segunda, é mais arrastada e dramática, e nos leva a uma outra atmosfera de reflexão a respeito do amor, da virtude, da fé e de intrigas políticas.
Por meio de diálogos longos e profundos, o autor faz não só os protagonistas ficarem em dúvida, como também o leitor, do que é verdade e o que não é na história, se o sobrenatural apresentado é de fato sobrenatural ou mero charlatanismo. Não é à toa que o único romance de Schiller influenciou tantas obras posteriores e preencheu uma lacuna na literatura alemã ao introduzir o romance gótico, gênero antes predominantemente inglês. Sua escrita inteligente e densa ficou marcada nesta obra.
Edição publicada pelas editoras Sebo Clepsidra e Aetia.