Romance de Rui do Carmo com o protagonismo de Lurdinha. A história acompanha sua trajetória de vida, da infância à velhice, num hipotético retrato de mulher amazônida do interior paraense (talvez testemunhado pelo autor), em recorte temporal entre as décadas de cinquenta a oitenta.
Os capítulos são curtos e a trama não tem aprofundamentos, caracterizando-se por passagens de tempo em que é destacado a constância da personagem ante as adversidades. Algo relacionado a posicionamento de fé e propósito de vida estabelecido - professora.
No recorte temporal três momentos tem maior atenção. O romance se inicia na década de 1950, quando encontramos Lurdinha já na adolescência, no município de Barcarena, cultivando sonhos nos estudos e convivendo com a realidade vigente, de dificuldades e desafios. O texto é um tanto idílico sobre a vida interiorana (em particularidades que reconheço e gosto de ler) e algo interessante que o autor destaca em cada recorte é uma breve descrição de época. O desafio aos estudos é a maior ênfase.
Alguns desdobramentos importantes e o recorte temporal se detêm na década de setenta, onde encontramos Lurdinha na vida adulta, em realidade de: casamento muito jovem, vários filhos, viuvez e dramas familiares, que o autor misturou com o cenário de época. A história, direta ou indiretamente, aborda a ditadura, prisão e perseguição política, garimpo e sua prostituição, frustrações e morte precoce de filho.
Na década seguinte, a maturidade, sugestionando-se percepção ao leitor de ideais valorosos e dignos de inspiração, explícitos numa constância de vida decidida e revigorada pela fé.
A leitura é rápida, porém, sem abordagem de maior complexidade, valorizando, basicamente, um idealismo de vida.