Amazônida criado no açaí, conheço histórias de boto de montão, gostando de ouvir, desde a tenra idade com o vô.
Satisfação encontrar esse cordel, que tem uma história trash (e como!), mas na dita temática que me encanta. Fico logo mundiado na secura para ler...
Apesar de treshão, chamou-me atenção para certos aspectos mitológicos. As lendas também se transformam com a sociedade e a do boto, antes centrada num cafajeste sedutor de filha alheia, cada vez mais encontramos direcionada em mensagem ecológica.
O cordel trouxe o boto fulo da vida com pescadores sem consciência sustentável, que acabam com tudo que é peixe, e assim planeja uma vingança. Além de seduzir as mulheres numa festança, em que chega na maciota de garanhão benquisto pelo mulherio, também torna todas sereias. Contemplação da ideia para repovoar o rio (imagina, parindo até peixes!) e os maridos, que passam à nova realidade de convivência com elas, terem cuidados extras em relação à pescaria. Ridículo e curioso!
Ah! Interessante a linha cronológica do boto, então! Temível Ipupiara nos idos pré-cabral (mito tupi, nos temores do desconhecido), tornando-se famigerado sedutor no colonial (desculpa para disfarçar puladas de cerca em que se embuchava) e agora protetor ambiental.
Antes nesse terceiro aspecto a lenda se estabeleça, porque nas duas primeiras, que se somam à realidades interesseiras de pescadores malfadados e pensamentos zé-ruelas de transferirem competência para um pedaço de saco do bicho na carteira, cria-se quadro de mortes e extinção à galope para ele. Verdade verdadeira!
Vá lá! Gostei da tosqueira