Daniel Deronda -

    George Eliot

    Vintage
    2017
    912 páginas
    1d 6h 24m
    ISBN-13: 9780099577294

    George Eliot's final novel is an extraordinary, keen and yet tender examination of two very different lives. A beautiful young woman stands poised over the gambling tables in an expensive hotel. She is aware of, and resents, the gaze of an unusual young man, a stranger, who seems to judge her, and find her wanting. The encounter will change her life. The strange young man is Daniel Deronda, brought up with his own origins shrouded in mystery, searching for a compelling outlet for his singular talents and remarkable capacity for empathy. Deronda's destiny will change the lives of many.

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    Matheus Vieira16/04/2026Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Esplêndido

    Após passar meses lendo esse livro, percebo como a autora George Eliot tem um cuidado com os temas e situações da vida cotidiana, passando por momentos de pura delicadeza ao extremo desespero ao colocar os personagens sob uma lupa e canalizar todos os males da sociedade do século 19. Tendo já lido da autora o incrível Middlemarch, caracterizo como modus operandi dela a sutileza e refinamento expressos tanto na história quanto nos personagens, transformando-os em indivíduos tão próximos de nós que parecem com um amigo ou vizinho que você já conheceu. Dito isso, nesse livro (obviamente) não vai faltar bela escrita e diálogos extensos e filosóficos, e é nisso tudo que se encontra a história de Daniel Deronda, que, sendo um órfão deixado aos cuidados de Sir Hugo Mallinger, cresce sob os cuidados do tutor e é criado como filho. E nessa confusão, Deronda questiona sua origem e passa o livro inteiro nessa procura. Mas calma, que mesmo o livro tendo um protagonista masculino interessante, quem rouba a cena é a Gwendolen, que encanta qualquer um com sua beleza e língua ferina e mordaz, abrindo o livro numa das aberturas de um romance mais pitoresca e peculiar ao encontrar por acaso enquanto jogava na roleta o nosso Daniel Deronda. Gwendolen, sendo criada cheia de mimos e conforto, não consegue lidar com a recente ruína de sua família e, apavorada com a perspectiva de trabalhar (e para ajudar sua família), acaba fazendo um péssimo casamento. E esse casamento sendo com o Sr. Grandcourt, o homem mais odioso que ela poderia encontrar para se casar, que mesmo dando para a Gwendolen e sua família todo o conforto possível, não deixa de ser maldoso e cretino com ela. E sabemos que o casamento foi sem amor e foi feito praticamente em um ato de desespero por Gwendolen, mas mesmo assim, quando eu passava as páginas onde relatava precisamente a natureza do casamento deles, me passava uma angústia e aflição pela prisão que ela se colocou e que estava desesperada para sair. É a partir desse momento que o destino de Gwendolen e Daniel se choca, porque tendo conhecidos em comum, eles constantemente se viam e a Gwendolen colocava o Daniel como uma salvação, não para acabar com o seu casamento, mas como um conselheiro que estava ali para aconselhá-la da melhor forma de viver nessa ''prisão'' e tirar algum proveito dessa situação, colocando a pensar não só nela mesma, mas nas outras pessoas ao redor.Então o enredo vai seguindo assim, intercalado entre a vida do Daniel e da Gwendolen, às vezes se misturando entre encontros casuais em reuniões e salões de baile. Voltando ao Daniel, procurando por suas origens, ele esbarra em Mirah, uma mulher judia que, desesperada pelos infortúnios, decide se afogar, sendo salva a tempo por ele. A partir desse ponto, saúdo ainda mais a autora por colocar de uma forma tão respeitosa a cultura judia, contando sobre a história da religião, e algo para se admirar num livro de 1876. A narrativa é bastante clara quando apresenta um sutil interesse amoroso entre Gwendolen e Daniel e nas formas variadas de se amar e apaixonar por alguém, colocando Gwendolen como uma fiel seguidora dos princípios impostos por Daniel, assemelhando-o a um anjo que veio apenas para lhe dar conselhos e direções para seguir. Já o Daniel vê na Gwendolen uma mulher em constante sofrimento e tenta auxiliá-la da melhor forma que pode. E o livro sugere que, após um certo acontecimento, eles dois vão ficar juntos no final, mas acaba chegando a Mirah que balança o coração do protagonista. Entendo todo o contexto que a autora criou para o final, por isso mesmo torcendo pela Gwendoilen ficar com Daniel, reconheço que o livro é muito mais que uma disputa num triângulo amoroso, por isso respeito o final condizente com a história que a autora criou.

    26 curtidas

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