Este livro foi escrito às vésperas do Apartheid e trata da descrição de diferentes realidades dentro do povo sul-africano.
O personagem principal do livro é Stephen Kumalo, um pastor anglicano dum povoado do interior da África do Sul, onde vive com sua esposa. Após receber a notícia que sua irmã não está bem, Kumalo resolve ir para Joanesburgo para vê-la e aproveita a oportunidade para procurar por seu filho, de quem não ouve notícias há alguns anos.
Ao chegar em Joanesburgo, Kumalo se sente sobrecarregado pela "cidade grande" e começa sua saga para encontrar seus familiares (irmã, filho e também seu irmão). Para sua grande frustração, todos eles se desviaram do "bom caminho" e participam, em maior ou menor grau e independentemente, de vidas ilícitas.
Sem menos esperar, Kumalo ver sua vida ligada a James Jarvis através de um evento traumático para ambos, e a partir daí ambos se ver numa relação em busca de paz, perdão e reconciliação.
Anacronismo OFF:
Esse livro de Alan Paton, com certeza foi importante quando foi escrito para diminuir os aspectos racistas existentes e ferventes na África do Sul pré-Apartheid, mostrando a honra e dignidade de um personagem preto (Kumalo), boa parte do livro se concentra nele. Mostra suas dores, sua simplicidade, seu sofrimento pelo errado, e sua busca para ser sempre uma pessoa melhor. Paton mostra que através da cooperação entre todos, a África do Sul poderá ser um país melhor no futuro.
Anacronismo ON:
É importante o apoio de pessoas em posição de poder para ajudar na luta de minorias; com certeza Paton conseguiu apresentar isso dentro do cenário no qual o livro foi escrito. Contudo, ficou sempre presente na minha mente o fato de ser um branco escrevendo sobre vivências pretas. No livro, os brancos são mostrados como bons, evoluídos, virtuosos, fontes do bem e vítimas; já os pretos são a expressão do que é ruim, criminoso, vicioso, negativo e lascivos. O protagonismo de Kumalo é diminuído pela "magnificência" de Jarvis. Mesmo sendo um pastor, Kumalo meio que é apresentado como "fraco" (o que o torna bem humano, na verdade), enquanto Jarvis é um baluarte e seu defeito apresentado (que me lembro) foi não ter convivido mais com o filho. O filho de Jarvis é revolucionário, quer a integração entre todos da África do Sul, enquanto o filho de Kumalo é um criminoso.
Finalizando:
É um livro de outra época, de outros valores, pré-crise racial no país. Vale a pena a leitura. Kumalo e suas perspectivas são envolventes.