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    Um Pé de milho -

    Rubem Braga

    Record
    1993
    168 páginas
    5h 36m
    ISBN-10: 850102063X
    Português Brasileiro
    3.9
    64 avaliações
    Leram120Lendo14Querem71Relendo0Abandonos3Resenhas6
    Favoritos2Desejados71Avaliaram64

    Neste livro encontram-se crônicas intensamente líricas, inspiradas por um grande amor, jóias de humorismo e outras histórias que são pequenos folhetins surrealistas, crônicas de costume e de política, recordações de Paris e Casablanca. Flagrantes da vida.

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    Henrique Luiz Fendrich picture
    Henrique Luiz Fendrich06/01/2013Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Um pé de milho e outras couves da literatura

    Aí está o Braga perto de fazer 100 anos, e por coincidência estive relendo "Um Pé de Milho", com crônicas suas feitas em meados dos anos 40. O livro não contém tantas citações diretas a notícias de jornal como os seus anteriores, mas é bastante povoado por problemas da época que, imagina-se, saiam em jornal. Braga é um cronista urbano do Rio de Janeiro e, ao menos nas crônicas selecionadas, bem menos severo que um Bilac, por exemplo. É que há um tanto de melancolia em tudo o que Braga escreve e, mesmo que ele fale da falta de água na cidade, faz isso com tanta graça que não temos muito ânimo para nos indignar. Acompanhamos o cronista várias vezes dentro de uma autolotação, e nos sentimos bastante próximos a ele, sofrendo as mesmas injustiças, mas com algum desalento. Este é o livro que conta com algumas das mais curiosas experimentações de Braga, inclusive com alguns flertes com a ficção, ou algo próximo a ela (como na impagável "Eu e Bebu na hora neutra da madrugada" ou nas improváveis "História do Corrupião" e "História do Caminhão"). Nestas duas últimas, e mais em "Aventura em Casablanca" e "História de São Silvestre", Braga manteve a artimanha de continuar a história na semana seguinte, utilizada no tempo da publicação na imprensa. Não apenas esse expediente nunca mais foi usado em seus livros como o próprio estilo de narrativa - se me permitem, longe da sua maestria - também não se repetiu. No mais, lá estão os seus passeios à infância, os louvores à Cachoeiro do Itapemirim, e sua permanente comunhão com a natureza, da qual a crônica-título parece ser o melhor exemplar. Braga ainda faz as vezes de conselheiro sentimental e faz divagações sobre o amor. E o humor que tempera tão bem o gênero está perfeitamente representado na inesquecível "Aula de Inglês", que é inclusive apontada por Roberto Braga, filho do cronista, como a melhor que já fez. O livro termina com o bonito registro circunstancial de "As Velhinhas da Rua Hamelin", quase um indicativo do que seria a sua produção francesa publicada no seu livro seguinte, "A Borboleta Amarela". Leiam, leiam o Braga. Aproveitem o centenário que aí está, mesmo que pouca gente dê grande importância a ele - mas quem mandou, meu caro Braga, se dedicar às couves da literatura?

    4 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.9 / 64
    • 5 estrelas30%
    • 4 estrelas34%
    • 3 estrelas25%
    • 2 estrelas6%
    • 1 estrelas5%
    Rubem Braga profile picture

    Rubem Braga

    Biografia Iniciou-se no jornalismo profissional ainda estudante, aos 15 anos, no Correio do Sul, de Cachoeiro de Itapemirim, fazendo reportagens e assinando crônicas diárias no jornal Diário da Tarde. Formou-se bacharel pela Faculdade de Direito de Belo Horizonte em 1932, mas não exerceu a profissão. Neste mesmo ano, cobriu a Revolução Constitucionalista deflagrada em São Paulo, na qual chega a ser preso. Transferindo-se para Recife, dirigiu a página de crônicas policiais no Diário de Pernambuco. Nesta cidade, fundou o periódico Folha do Povo. Em 1936 lançou seu primeiro livro de crônicas, O Conde e o Passarinho, e fundou em São Paulo a revista Problemas, além de outras. Durante a Segunda Guerra Mundial, atuou como correspondente de guerra junto à F.E.B. (Força Expedicionária Brasileira). Rubem Braga fez diversas viagens ao exterior, onde desempenhou função diplomática em Rabat, a capital do Marrocos, atuando também como correspon­dente de jornais brasileiros. Após seu regresso, exerceu o jornalismo em várias cidades do país, fixando domicílio no Rio de Janeiro, onde escreveu crônicas e críticas literárias para o Jornal Hoje, da Rede Globo de Televisão. Sua vida como jornalista registra a colaboração em inúmeros perió­dicos, além da participação em várias antologias, entre elas a Antologia dos Poetas Contemporâneos.

    76 Livros
    149 Seguidores
    Espírito Santo, Brasil

    Rubem Braga