História do estruturalismo - Vol. II. O canto do cisne, de 1967 a nossos dias

    François Dosse

    Editora Unesp
    2018
    669 páginas
    22h 18m
    ISBN-13: 9788539307593
    Português Brasileiro

    Esta viagem fascinante ao coração do estruturalismo permite seguir as jornadas intelectuais de seus grandes pensadores: de Claude Lévi-Strauss e Roman Jakobson a Michel Foucault, de Louis Althusser e Georges Dumézil a Roland Barthes, passando por Jacques Lacan e Jacques Derrida. O historiador François Dosse reconstitui as questões teóricas, institucionais e existenciais do estruturalismo e as organiza em dois grandes períodos distintos: o de sua ascensão em 1945, até seu apogeu no ano de 1966, objeto do primeiro volume, e o de seu declínio, a partir de 1967, tema deste segundo volume. Desse modo, Dosse oferece ao leitor um guia intelectual útil para identificar a extraordinária abundância pluridisciplinar daqueles anos e para compreender, além dos impasses do programa estruturalista, a influência que esse pensamento continua a desempenhar no processo de recomposição das ciências humanas e sociais contemporâneas.

    Edições (2)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover

    Similares (1)

    Ver mais
    • book cover
    Resenhas (1)Ver mais
    Bruno Godinho picture
    Bruno Godinho16/11/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Nesse trabalho interessantíssimo e, certamente, polêmico sob alguns ângulos, François Dosse não apenas conta a história dos acontecimentos das vidas individuais que compuseram o estruturalismo, mas ele as reúne, sob vários aspectos, para que elas componham coletivamente o mosaico desse influente movimento intelectual francês. Em termos de método, o livro é muito interessante. O autor se utiliza da prosopografia, ou seja, uma espécie de biografia coletiva. Articulando o declínio da filosofia existencialista como ponto de partida, ele se lança em diversas direções buscando os indivíduos e momentos fundadores do estruturalismo. Esses indivíduos são, é claro, a nata da intelectualidade francesa das décadas de 1950 e 1960, a começar pelo antropólogo Claude Lévi-Strauss. Os momentos, por outro lado, são de várias ordens: ascensões de carreira, avanços e recuos institucionais, publicações que marcaram época e geraram abalos no edifício intelectual francês. Esse último ponto é, sem dúvida, muito interessante aos leitores dos volumes. Dosse não se limita a relatar os fatos de uma publicação (quando foi publicado e por quem, através de qual editora, etc.), mas leu e interpretou os textos. E creio que aqui é o ponto mais interessante: sua história do estruturalismo não é uma simples biografia de um movimento intelectual num sentido narrativo, mas, sobretudo, num sentido interpretativo. Em outras palavras, o estruturalismo de François Dosse é o <i>seu</i> estruturalismo. É isso que permite que Dosse reúna, em sua obra, as biografias de intelectuais que veementemente rejeitaram uma filiação direta ao estruturalismo, como Michel Foucault. Fica óbvio que indivíduos como Foucault (e, sem dúvida, mais ainda Jacques Lacan) se alimentaram do bonança institucional da França dos anos 1960-1970. E, em parte, é preciso admitir que esse período de expansão se deu em grande parte em razão da valorização de intelectuais de gerações anteriores que abriram caminho e consolidaram departamentos, universidades, grupos de pesquisa, revistas, etc. Por outro lado, isto por si só não é razão suficiente para colocar os autodeclarados <i>outsiders</i> dentro desse círculo. A narrativa de Dosse é bastante envolvente e apresenta situações muitas vezes inusitadas que humanizam significativamente estas figuras quase míticas que gerações de jovens (às vezes nem tão jovens assim) pesquisadores de ciências humanas, como eu e outros, não tiveram oportunidade de ver, ouvir, dialogar. Ainda que se discorde da unidade (ainda que ela não seja propriamente homogênea) do estruturalismo de Dosse, é uma importante obra que esclarece não apenas o contexto, mas o pensamento de muitos dos grandes intelectuais franceses que, ainda hoje, lemos e nos quais apoiamos grande parte de nossas ideias sobre o mundo contemporâneo.

    4 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.2 / 6
    • 5 estrelas67%
    • 4 estrelas17%
    • 3 estrelas0%
    • 2 estrelas17%
    • 1 estrelas0%