Longe da árvore - Pais, filhos e a busca da identidade

    Andrew Solomon

    Companhia das Letras
    2013
    1056 páginas
    1d 11h 12m
    ISBN-13: 9788535923209
    Português Brasileiro

    Resultado de uma ampla investigação sobre as tensões entre identidade e diferença em famílias com filhos portadores de deficiências físicas, mentais e sociais, Longe da árvore é um ensaio monumental sobre a tolerância e a valorização da diversidade. Diagnosticado com dislexia na infância, Andrew Solomon conta que a superação dessa deficiência só foi possível porque ele pôde contar com a paciente dedicação dos pais, em especial de sua mãe, num lar estruturado. Criado num ambiente privilegiado - a culta classe média judaica de Nova York -, Solomon sempre teve acesso a todo afeto e atenção terapêutica necessários ao tratamento. Entretanto, quando sua homossexualidade latente transpareceu na adolescência, os mesmos pais que sempre o haviam cercado de carinho e compreensão reagiram com intolerância e vergonha. Ele teve de se afastar traumaticamente da família para conseguir vivenciar a plenitude de sua identidade sexual. Muitos anos depois, para tentar entender as relações entre essas duas identidades divergentes das expectativas dos pais, e como elas puderam provocar sentimentos tão antagônicos, o autor realizou uma abrangente pesquisa sobre o universo da diversidade em famílias com filhos marcados pela excepcionalidade. Surdos, anões, portadores de síndrome de Down, autistas, esquizofrênicos, portadores de deficiências múltiplas, crianças prodígios, filhos concebidos por estupro, transgêneros e menores infratores: dez "identidades horizontais" (isto é, divergentes dos padrões familiares, linguísticos e sociais predeterminados), sujeitas em graus distintos a influências genéticas e ambientais, compõem a constelação de temas deste magnífico tour de force sobre os sentidos de ser diferente e, principalmente, de aprender a amar e respeitar as diferenças. "Longe da árvore começa como um estudo sobre pais tentando educar crianças complicadas, e acaba como uma afirmação do que é ser humano." – The Guardian "Muitos livros nos ajudam a pensar em temas morais... Mas poucos me fizeram sentir questões morais tão intensamente quanto este." – New York Magazine "Fazendo uma matéria sobre o Google, descobri que uma das dez perguntas mais feitas no mecanismo de busca é O que é o amor?. No futuro, o Google fará bem se indicar o extraordinário livro de Andrew Solomon àqueles que digitarem essa recorrente questão." – Tim Adams, The Observer "Andrew Solomon nos faz lembrar que nada é tão poderoso no desenvolvimento de uma criança quanto o amor dos pais." – Bill Clinton "Este é um dos livros mais extraordinários que li nos últimos tempos - corajoso, sensível e assombrosamente humano." – Siddhartha Mukherjee, autor de O imperador de todos os males "Longe da árvore é um marco, um livro revolucionário. Andrew Solomon encara seu tema a fundo, humanamente, com um estilo que torna a leitura compulsiva, tão aliciante quanto esclarecedora." – Jennifer Egan, autora de A visita cruel do tempo

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    Eduardo Insaurriaga23/12/2017Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Este livro mudou minha forma de ver a paternidade.

    Terminei de ler "Longe da Árvore" às vésperas do Natal e do nascimento da minha filha. Vi o tema e as várias indicações como uma missão a realizar, uma forma de aumentar minha visão sobre aquilo que ocorre em algum nível: os filhos são sempre diferentes da projeção imaginada pelos pais. Através de um grande número de casos e experiências, a obra retrata como é a paternidade em relações de identidade horizontal, ou seja, filhos que não possuem a mesma identidade dos pais: surdos, anões, portadores de síndrome de Down, autistas, esquizofrênicos, portadores de deficiência, prodígios, filhos de estupro, criminosos, transgêneros. Cada capítulo é um mergulho em um universo carregado de angústias, dificuldades, preconceitos, violências. E ainda assim, povoado por inúmeras histórias de um amor difícil de tangibilizar. Comecei a lê-lo com um intuito de me preparar para qualquer tipo de situação parecida que eu possa vir a enfrentar no desempenho da paternidade. À medida que a leitura avançou, senti uma grande transformação ocorrer em mim. Ganhei a percepção de que o temor de todos os pais (que seus filhos sofram, que não sejam felizes) é um fantasma eternamente presente. Não há como fugir disso. Se a iminência deste fracasso paternal nos ronda, devemos aceitar o fato e lutar com amor, companheirismo, resiliência. Mas a questão é mais profunda que uma visão mais ampla da paternidade. Imergir no mundo das pessoas que vivem com a diferença e sentir suas dores me fez enxergar mais facilmente que essa relação é facilmente extrapolada se encararmos todas as nossas relações com mais empatia. No fundo, somos todos uma grande família, em um mar de diversidade, navegável quando respeitamos o próximo. Andrew Solomon é gay, e a narrativa de sua juventude ajuda o leitor a entender como o sentir-se diferente é muito mais profundo e complexo para quem é o vetor da diferença. Sua história de como se tornou pai é uma vitória da diversidade e, acima de tudo, uma vitória do amor. "Longe da Árvore" não é fácil. Mais do que longo, o peso de cada um dos capítulos derruba e exaure o leitor, sempre jogando-o para dores ainda mais fortes. Chegar ao fundo o transforma em alguém melhor. E transforma o mundo em um lugar melhor.

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