O problema da crise capitalista em O Capital de Marx é uma original e instigante introdução à concepção de crise que permeia a crítica da economia política. Escrito pelos professores Hector Benoit e Jadir Antunes, dois profundos conhecedores do método e da teoria de Marx, o livro resgata a relação necessária entre crise e revolução. Ao mostrar que a crise abre brechas históricas que permitem a autonomia da política, colocando na ordem do dia a luta pela reorganização do modo de produção capitalista ou pela sua superação, Benoit e Antunes evidenciam as contradições que polarizam a luta de classes. Dirigido aos intelectuais orgânicos engajados na luta pela revolução comunista, O problema da crise capitalista em O Capital Marx é uma contribuição substantiva ao debate sobre as implicações revolucionárias da teoria do valor elaborada na crítica da economia política. É um livro para ser estudado e discutido por todos que compreendem a importância da crítica como arma estratégica na luta da classe trabalhadora contra a barbárie capitalista.
O problema da crise capitalista em O Capital de Marx -
Hector Benoit, Jadir Antunes
Uma pequena e grande obra
A intenção deste pequeno e belo livro não é a de ser uma introdução a obra de Marx, mas é uma boa chave de leitura para quem deseja se introduzir na leitura de O capital ( os três volumes evidentemente) o livro na verdade procura polemizar com os autores de linha positivista como Kautsky e Tugan-Baranovky que procuram na obra de Marx uma "causa" da crise capitalista que pode ser selecionada por capítulos específicos da obra de Marx onde ele exporia essa temática. Os autores brasileiros se inserem em uma tradição que se propõe a fazer uma leitura d'O capital não positivista ( sociologista ou economicista) que era muito comum no que podemos chamar de marxismo vulgar do positivista Kautsky ou da dogmática escolástica stalinista que expurgou os grandes estudiosos da obra de Marx do instituto Marx-Lênin de Moscou, entre estes, estava Roman Rosdolsky que a partir do estudo dos Grundrisse reconstrói ao longo de 40 anos o "iter" critico do pensamento de Marx para sua critica da economia politica, Rosdolsky propõe uma leitura dialética da obra onde o próprio modo de exposição do objeto (Darstellungweise formen) faz parte da investigação. Portanto, a obra de Marx não seria compartimentável em capítulos ou sessões com interesses econômicos, sociológicos ou ciência politica, ou mesmo filosóficos. A obra de Marx é uma totalidade critica de uma ciência revolucionaria que dialeticamente articula a teoria e a práxis com a finalidade de produzir a negação da negação da ordem social vigente, ou seja, a sua superação a partir das contradições imanentes dos processos de produção e reprodução social. Mesmo inserida nessa tradição de leitura dialética de O capital, Hector Benoit e Jadir Antunes discordam sobre a questão da "crise" em Rosdoslky e Zeleny ambos expoentes de que devido ao fim prematuro da vida de Marx, haveria uma "lacuna" sobre a teoria da crise, os brasileiros acreditam que a própria estrutura expositiva da obra, conforme a forma como ela foi construída a teoria do crise esta inserida ao longo do capitulo I do Livro I ate o capitulo LII do livro III, a teoria da crise não depende de um capitulo ou de uma sessão especifica para ser analisada e exposta pois Marx não vê a sociedade como um mecanismo que uma peça da um problema especifico e a crise destruiria o sistema, para Marx a crise é o produto imanente ao próprio metabolismo da reprodução social que é uma totalidade orgânica, a crise não pode ser compreendida isoladamente em relação ao próprio funcionamento da sociedade e exatamente por isso O capital de Marx começa com os livros I e II expondo as categorias abstratas da produção da Mais-Valia ( Capitais ou valores que buscam a valorização) e da circulação das mercadorias sobre como a mais-valia se divide entre os capitalistas ( ainda no livro II processo visto de forma bastante abstrata), porém é no livro III que as categorias abstratas da produção e circulação de capitais, são analisadas em sua concretude processual no "processo de produção global do capital" onde os capitais são demonstrados no seu processo autodestrutivo onde permanece o verdadeiro estado de natureza na predação dos capitalistas que levam a monopolização dos capitais a verdadeira crise, que é produzida pela própria essência do funcionamento social, a crise do grego Krísis pressupõe cisão é uma divisão que leva o homem a "Krisô" o ato de escolher ou decidir (Entscheidung) a crise é a porta que pode leva a superação do capitalismo (ainda o reino da necessidade) produzindo a negação da negação, "aufheben" do estado alienante do homem em relação ao seu trabalho, e a tomada de consciência do homem enquanto ser genérico (gattungwessen) produtor do seu próprio modo de vida a partir da autoconsciência tomar um novo caminho rumo a emancipação humana e realização de uma nova liberdade ( o comunismo). A pedagogia de Marx começa com a abstração das categorias mais básicas do funcionamento da sociedade capitalista e termina com a tomada de consciência do leitor e a sua conclusão do seu papel revolucionário para a destruição da Barbárie capitalista, eis o caráter profundamente humanista do Pensamento de Marx podemos sintetizar com uma frase do pensamento de um dos grandes nomes do pensamento brasileiro infelizmente esquecido e sequestrado pela delinquência intelectual olavista, o nosso Mario Ferreira dos Santos em sua filosofia da crise afirma "o Homem é a consciência da crise" a obra de Marx é uma das chaves para a tomada de consciência da nossa crise atual e, quem sabe da sua superação, além de um dos últimos suspiros para nos salvar o que resta de humanidade diante de um sistema que se desintegra e cuja logica e nos transformar em mercadoria. Em tempo, o Livro de Benoit e Antunes é um belíssimo livro que comprova a qualidade da produção intelectual nacional, que visa ser negada pela bandalheira fascista que ocupa o topo da politica nacional e seu gurus liderados por Olavo de Carvalho, o falsário, que nada sabe sobre Marx a não ser sobre as interpretações fuleiras escritas por supremacistas brancos e antissemitas como E. Michael Jones e Hans-Herman Hoppe (esse não é antissemita pois é judeu, mas é um autor profundamente racista e xenofóbico) além de promover uma serie de falsificações biográficas sobre os autores que pretende "refutar". O livro de Benoit e Antunes é um livro luminar para qualquer interessado em adentrar a obra magna de Marx pois as suas três partes comentam rigorosamente dentro dos limites físicos e do próprio ponto focal da obra é uma boa pedida pois é um livro que custa 15 reais no site da editora e pelo que sei é bem mais proveitoso do que ler os calhamaços caríssimos escritos por David Harvey em sua obra "Para Entender o capital" (em dois volumes) que tem uma serie de problemas interpretativos, como bem aponta o professor Jorge Grespan em sua clássica obra O negativo do capital.
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