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    O Potomak - precedido de Prospecto 1916

    Jean Cocteau

    Autêntica Editora
    2019
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-13: 9788551305980
    Português Brasileiro
    3.6
    25 avaliações
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    Cem anos depois da sua primeira publicação, O Potomak se revela aos leitores lusófonos como um baú de preciosidades. Neste livro, encontramos máximas consagradas de Jean Cocteau e um vanguardismo literário extraordinário, em que texto e imagem compõem, conjuntamente, a narrativa de um romance dedicado a Igor Stravinsky, ou seja, à música, mas criado a partir de um encantamento com a dança, mais precisamente com o Balé Russo de Serge Diaghilev. Quando, em uma noite de 1912, Diaghilev disse a Cocteau: “Surpreenda-me”, este não poderia ter-lhe dado uma resposta melhor: O Potomak. Nesse universo perfeitamente coctaliano, o narrador nos leva consigo em suas visitas a um aquário situado no subsolo da praça da Madeleine, em Paris, onde se encontra exposto o Potomak, um monstro aquático gelatinoso inspirador de poesia. Além desses passeios poéticos e filosóficos, somos convidados a fazer uma viagem desenhada, a bordo de um navio, na companhia dos pacatos Mortimar e dos Eugenes, seres canibais. Mário de Andrade também não ficou indiferente a esta obra: o modernista brasileiro conservava em sua biblioteca as edições francesas de 1919 e 1924. É chegado o momento de você também se deixar surpreender.

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    Gabriel de Jesus23/01/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O Potomak, um prefácio à humanidade

    Nas primeiras páginas do livro está uma citação que permeia toda a experiencia de leitura: “Vi que não era um livro, mas um prefácio. Prefácio de quê?”. A resposta para essa pergunta só conseguiremos entender nas últimas páginas. Tal qual as ideias nos aguardam para serem despertadas, verbalizadas e significadas, o narrador sem nome de Cocteau aguardava uma inspiração para transpor a literatura, esbarrar em outras artes e por fim, descrever a humanidade e suas complexidades temáticas e sentimentais. A inspiração em questão acaba sendo os Eugenes — seres canibais que assassinam, comem, e depois vomitam, um casal burguês — e o Potomak, um monstro escondido num aquário debaixo de uma praça que o instiga a escrever. E aqui achamos o verbo que define essa obra: Instigar. Os Eugenes instigam suas vitimas à morte, renascimento e reconhecimento de sua humanidade. Os Eugenes e o Potomak insitgam o narrador à escrever sobre eles, quase que impulsivamente. E a obra toda nos instiga à morte, renascimento e reconhecimento de sua humanidade. Acontece com nós, leitores, o que acontece com os Mortimar, o casal canibalizado: “Não procure Mortimar, exceto em você mesmo”. A morte é o princípio, a aceitação de sua inevitável vinda é também tema de uma das muitas viagens na psique humana que o narrador dá. A morte seria então, de acordo com ele, a crise da humanidade. Para ele podia ter sido a primeira guerra mundial, que iria acontecer alguns meses depois de Cocteau terminar de escrever; para nós são muitas as possíveis crises, mas como o narrador diz, não devemos temer, pois a vida é uma sala de jantar onde é servido o almoço, a morte. É depois de experienciar a morte que os Mortimar renascem, e a primeira coisa que fazem é reconhecerem-se em sua empregada. Os Eugenes são o ponto de virada, e é por eles que os Mortimar, a humanidade, adquirem a consciência de classe e reconhecem sua humanidade. É para essa parte do processo que se dedica todo o resto do livro: reconhecimento da humanidade. Através dos poemas, inspirados pelo misterioso Potomak, das cartas ao amigo Periscario, ou das solitárias viagens e pensamentos do narrador, Cocteau nos apresenta o que é ser humano. Seus temas abrangem todo o existencialismo e sentimentalismo humano, e sua linguagem transborda da literatura para todas as outras artes, citadas ou permeadas pela fabulosa articulação que o autor faz. “O Potomak” me parece então um prefácio à humanidade. Um manual para entender o que é ser humano, com todas as formas de arte, expressão e complexidades de pensamento que disso decorrem. O livro que precisamos entregar quando formos dominados por nossos próprios Eugenes, um dicionário em desordem de todas as nuances do ser humano. "… Uma obra-prima da literatura é sempre um dicionário em desordem."

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    Jean Maurice Eugène Cocteau

    Nascido numa pequena vila próximo a Paris, Jean Cocteau foi um dos mais talentosos artistas do século XX. Além de ser diretor de cinema, foi poeta, escritor, pintor, dramaturgo, cenógrafo e ator e escultor. <br> Atuou ativamente em diversos movimentos artísticos, nomeadamente o conhecido Groupe des Six (grupo dos seis) cujo núcleo era Georges Auric (1899–1983), Louis Durey (1888–1979), Arthur Honegger (1892–1955), Darius Milhaud (1892–1974), Francis Poulenc (1899–1963), Germaine Tailleferre (1892–1983). Além destes, outros também tomaram parte, como Erik Satie e Jean Wiéner. <br> Foi eleito membro da Academia Francesa em 1955.

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    Jean Maurice Eugène Cocteau