A história narrada tem como cenário uma pequena cidade no interior da Paraíba, que recebeu esse nome graças a seus três elementos principais: um garimpo, um prostíbulo e um cemitério. Tânia , a protagonista da história, é filha de um antigo delegado, que nos “dias de glória” da cidade, era responsável por manter a ordem no garimpo e punir os ladrões que tentavam roubar os minerais preciosos do local, até o mesmo se envolver em um desses roubos e morrer
.Sem o delegado que colocava ordem no lugar, não demorou para que o garimpo acabasse, e a população abandonasse o local. Três Buracos virou uma cidade fantasma, onde Tânia é uma das poucas pessoas que ainda vivem ali, dividindo a casa com sua companheira, Cleonice . A relativa paz em que as duas viviam é quebrada quando Canhoto , o irmão de Tânia, foge da cadeia e é surpreendente com uma visita.
A obra é uma "história de botija" , narrativas populares no Nordeste que envolvem tesouros escondidos, que são reveladas a partir de sonhos por espíritos presos à Terra e coisas dessa natureza. A protagonista ficou obcecada em achar um tesouro que seu pai escondeu, e passa seus dias sozinha, escavando a mina abandonada. Em seus sonhos, ela é atormentada por almas penadas de garimpeiros que morreram agarrados à riqueza, e dentro da mina, por animais falantes e mais espíritos que ali morreram, tudo isso enquanto lida com o plano mirabolante do irmão fugitivo de roubar o banco da cidade.
Em três capítulos, com três personagens principais e três camadas de realidade distintas, embora todas miseráveis, Shiko faz um trabalho primoroso misturando western , terror e elementos regionais nordestinos, mostrando que mesmo em uma narrativa curta, consegue articular bem suas referências e entregar uma história que nós prende do começo ao fim. Há ainda que destacar a artes de Shiko, que é primorosa, e contribuí D+ para o desenvolvimento da narrativa.