A quinta-coluna -

    Ernest Hemingway

    Bertrand Brasil
    2019
    210 páginas
    7h 0m
    ISBN-13: 9788528615630
    Português Brasileiro

    A única peça teatral de Ernest Hemingway, autor agraciado com o Nobel de Literatura, A quinta-coluna transporta o leitor aos horrores das batalhas da Guerra Civil espanhola. A insurreição militar das forças direitistas lideradas por Franco, determinando a origem da sangrenta e cruel Guerra Civil que arrasaria o país, mobilizou, portanto, fortemente o espírito e o coração de Hemingway. Para ele, o fascismo era a antítese de todas as qualidades marcantes do povo espanhol, e por isso se opôs aos insurgentes de todas as maneiras possíveis – incluindo quatro visitas às frentes de combate para lutar, de arma na mão, contra as tropas franquistas, e uma série de reportagens que produziu como correspondente de importantes jornais americanos. Foi durante uma dessas prolongadas viagens de observação e solidariedade que, debaixo de pesado bombardeio inimigo, surpreendentemente conseguiu tempo físico e mental para escrever em Madri, no Hotel Florida, o texto de A quinta-coluna.

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    Phelipe Guilherme Maciel picture
    Phelipe Guilherme Maciel07/11/2017Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O único "teatro" de Hemingway é dispensável como teatro, mas importante como texto.

    Hemingway é um dos maiores escritores do século passado, e sempre falou muito sobre guerra. Foi prolífero e escreveu sobre muitas coisas, desde livros sobre a luta do ser humano, com grandes questionamentos sobre o porquê da vida e nosso espaço no mundo até livros sobre a Tourada, esporte que ele amava. Mas em toda sua carreira, ele fez apenas uma peça de teatro. Como teatro, é um livro bem fraco, mas possui um texto muito apurado. Ele o escreveu enquanto lutava no front da Guerra Espanhola, e talvez por isso já seja bastante louvável este texto ter saído com a qualidade que saiu. De todo modo, "A Quinta Coluna" foi esquecida em todo mundo e relegada à trabalhos secundários do escritor, saindo dentro de coletâneas com trabalhos menores. O único local que achei a obra como parte da obra principal do escritor foi no Brasil. Nesse livro, Hemingway fala novamente sobre a guerra e novamente sobre a Espanha que ele tanto amava. Utilizo-me do conceito da Wikipédia para o termo Quinta Coluna: " (...) grupos clandestinos que atuam, dentro de um país ou região prestes a entrar em guerra (ou já em guerra) com outro, ajudando o inimigo, espionando e fazendo propaganda subversiva, ou, no caso de uma guerra civil, atuando em prol da facção rival. Por extensão, o termo é usado para designar todo aquele que atua dentro de um grupo, praticando ação subversiva ou traiçoeira, em favor de um grupo rival." Isso explica o livro. Philip, o personagem principal, precisa descobrir um traidor (ou traidora) infiltrado em seu meio. Não posso revelar muito mais que isso ou será um puta spoiler. O que é relevante no livro é o desespero dos homens que lutam nesta guerra. O cansaço e total desengano deles. A forma como eles tentam ser homens fortes que não choram, e acabam à noite entregues aos amores de mulheres que não conhecem mas que gostariam de amar desesperadamente. É ver que esses homens não sentem prazer em torturar e matar seus inimigos, embora seja necessário. É participar dos terrores que passam dentro da cabeça dos personagens. Sabemos que eles estão em guerra pelos seus relatos e pela ambientação, pois não há cenas de guerra e batalhas. A guerra está no total abandono desses homens. A guerra está no esfacelamento desses homens. Recomendo a leitura, mas não vá com grandes expectativas e será melhor recompensado.

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