Aventuras na História Nº 193 (Junho de 2019) - As bruxas e os puritanos de Salem

    não informado

    Caras
    2019
    60 páginas
    2h 0m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    – As bruxas e os puritanos de Salem. Como o fundamentalismo religioso resultou numa série de julgamentos e execuções sem provas. – 30 anos do massacre da paz celestial na China. – Rainha Vitória, a mulher que popularizou a monarquia. – Brasil colonial: a corrida do ouro que afetou Minas Gerais. E muito mais!

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    R .13/06/2019Resenhou um livro
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    Junho de 2019

    O que achei mais interessante foi a reportagem sobre os 30 anos do massacre na Praça da Paz Celestial, em Pequim. Episódio conhecido, principalmente, pela icônica imagem do herói desconhecido, apelidado homem-tanque, que enfrentou sozinho uma fileira de tanques colocando-se no caminho. Esse foi apenas um dos eventos e a reportagem, em termos gerais, apresenta o contexto, que teve também horrível massacre do exército chinês contra a população que esteve em protestos nos dias anteriores. Registrando o que entendi, o ano era 1989 e a União Soviética, então líder do bloco socialista, estava em ruptura, com reformas radicais e abertura política. Caminho contrário ao da China, onde a população oprimida viu no momento fortalecimento para suas reivindicações de reformas, investimentos na infraestrutura, liberdade política e abertura econômica, entre outros aspectos de clamor popular. Além do contexto da antiga URSS, a China vivia também uma revolução cultural liderada por estudantes, culminando em manifestações encabeçadas por eles (com considerável adesão popular) entre a segunda metade de Maio e os primeiros dias de Junho, na Praça da Paz Celestial. Essas manifestações atingiram ponto crítico quando houve sensibilização por ocasião da morte de certa liderança política naqueles dias. Não vou me deter em nomes, mas foi de um ex-secretário geral do governo comunista, que fora afastado dois anos antes por sua postura considerada liberal e tornara-se um dos principais opositores às arbitrariedades do governo. Essa pessoa morreu nesse momento de protestos e o governo resolveu impedir a manifestação da população no funeral, provavelmente temendo criação de mito inspirador, e partiu para cima do povo com armas, tanques e crueldade tamanha que, segundo pareceres, causou a morte de cerca de 10 mil manifestantes na referida praça (registre-se que é uma das maiores do mundo). Luta desigual e covarde... Isso antecedeu a manifestação do solitário herói. Curioso que os tanques tinham ordem para não se deixar deter, o primeiro tentou desviar e os demais não saíram da formação. Talvez, forma de não chamar mais atenção para o quadro trágico antecedente, que repercutiu no mundo e atraiu olhares. Ninguém sabe a identidade do sujeito, que foi retirado por pessoas que pareceram simpatizantes ou funcionários do governo entre os civis, pois acenaram para os tanques positivamente, como se tivessem resolvido o problema. Lembrando que os manifestantes tinham sofrido terrível massacre, em que tanques passaram por cima de muitos... Será que foi morto? Vale muito rever o momento no YouTube, deste que entrou para a história como herói no século 20. As outras reportagens não empolgaram, mas vou referenciar: - A corrida do ouro em Minas Gerais, no século 17. O texto inicia com abordagem sobre famosas corridas pelo ouro nos EUA, no século 19 (Califórnia e Alasca), e traça paralelos de desdobramentos similares em nosso país, igualmente dramáticos e impactantes, mas historicamente desconhecidos e pouco valorizados na literatura (como aconteceu entre os norte-americanos). O assunto é interessante, mas tenho percebido, isso para a edição no todo, os textos pouco instigantes na nova fase da revista. Em outros tempos valorizavam mais curiosidades em paralelo, informações com didática interessante e direcionamento para a galera jovem de maneira legal. O autor cita essa corrida do ouro como única no país. E Serra Pelada? Também teve uma em meu Amapá, no século 19, com eventos dramáticos que culminaram na resolução da antiga disputa entre França e Brasil pelas terras do Contestado. Até hoje a revista não deu atenção a essa importante e desconhecida história. - A reportagem de capa, conta a história das bruxas de Salém nos EUA, século 17, promovida por protestantes radicais e fundamentalistas. É basicamente a história das perseguições diante de quadro de intolerância e ignorância, para reflexão no presente... Achei interessante que enfatizaram erro no homem e não na disposição de ficar malhando a igreja, como se essa fosse sua essência. A visão radical também seria fundamentalismo... O erro é dos homens, com sua estupidez e ignorância, não a mensagem genuína do evangelho. Quer um exemplo do paralelo da mensagem de Jesus e ignorância? Certa vez Jesus foi rejeitado em uma cidade e dois de seus discípulos ficaram irados e falaram para descer fogo do céu sobre eles. Eram Tiago e João, em momento de imaturidade espiritual. Veja o que Jesus disse... Essa história está no capítulo 9 de Lucas. Só buscar... Todos que não manifestam amor, certamente não procedem de Deus, porque Deus é amor. Isso João escreveu em outro momento, conhecedor do real significado do evangelho. A reportagem faz pensar e essas coisas foram despertadas em minha leitura. - A seção Galeria, no início da revista, trouxe o quadro de variedade religiosa em São Paulo. A mensagem é que ninguém pode julgar ninguém e sim viver em respeito. Todos tem suas convicções, mas o respeito deve ser comum. - Tem outras pequenas curiosidades como: origem dos talheres, do estrogonofe, biografia da rainha Vitória (da Inglaterra do século 19) e sobre o ditado popular "será o Benedito?". Pena que limaram a seção de cultura, que citava livros, filmes e eventos relacionados a História.

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