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    Proust -

    Samuel Beckett

    Cosac Naify
    2005
    104 páginas
    3h 28m
    ISBN-10: 8575031872
    Português Brasileiro
    4.4
    44 avaliações
    Leram77Lendo6Querem134Relendo1Abandonos2Resenhas4
    Favoritos8Desejados134Avaliaram44

    O dramaturgo irlandês Samuel Beckett (1906-1989), autor de Esperando Godot, estabelece um profundo e instigante diálogo com o escritor francês Marcel Proust (1871-1922), o autor de Em busca do tempo perdido. Trata-se de um dos primeiros textos de Beckett, antecipando, em muitos aspectos, os motivos que seriam explorados em suas peças e romances: a relação entre o tempo e a memória, o desencontro das relações humanas, o sentimento de absurdo da existência. Proust é leitura fundamental tanto pela criativa interpretação da obra proustiana quanto por lançar luzes sobre a gênese da criação beckettiana.

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    Aguinaldo Medici Severino picture
    Aguinaldo Medici Severino12/05/2015Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    proust

    Reli uns trechos dessa curta monografia de Samuel Beckett quando me preparei para uma conversa sobre Joyce e Proust tempos atrás (para me ajudar usei também o "Días de lectura"). Dias atrás, após terminar "Así empieza lo malo", do Javier Marías, senti que precisava uma vez mais dos argumentos de Beckett sobre Proust para comparar sua técnica com a de Marías (mas sobre isso vou escreverei depois, quando publicar um registro de leitura desse seu último - e grande - livro). Bueno. Lembro-me bem do assombro que experimentei quando li "Proust" pela primeira vez, em meados dos anos 1980 (tratava-se de uma tradução feita pela seminal Arthur Nestrovski, agora republicada pela Cosac & Naify). A síntese de Beckett demonstrava associações e apontava caminhos de leitura no livro que aquela minha encarnação de neófito leitor de Proust mal alcançava compreender (de qualquer forma as camadas de entendimento apenas se acumulam, nunca deixaremos de encontrar algo poderoso e mágico naquelas páginas). Beckett produziu esse texto por encomenda, em função de um estágio acadêmico seu na École Normal, de Paris. Posteriormente ele lamentaria o que ele chamou de "jargão filosófico chamativo e barato" de sua prosa juvenil (ele tinha 25 anos quando publicou o ensaio). Paciência. Becket faz uma leitura do ciclo "Em busca do tempo perdido" de Proust utilizando-se de associações com textos curtos de Schopenhauer e Calderón de la Barca (e também Baudelaire, Dante, Racine, Shakespeare, D'Annunzio e os gregos, sempre.) Ele não conta detalhadamente as histórias dos livros de Proust, nem tampouco faz considerações morais sobre o mundo criado por ele. O que ele oferece ao leitor é um foco sobre as cenas que são chaves na construção do romance, desperta a atenção ao que é importante ser notado na narrativa (os discursos sobre o hábito, a flora, o tempo, a música, a mentira, a ilusão da amizade, o valor da intuição). E também enfatiza os mecanismos de construção do romance, louvando os valores estéticos das soluções inventadas e/ou encontradas por Proust, apoiando o fato de Proust nunca ser panfletário ao abordar questões que tenham injunções sociais. Beckett tornou-se um mestre na economia das palavras, no poder das metáforas, ensinou-nos a nos debruçar sem medo no abismo a que nos levam os dilemas fundamentais da existência humana. Nada daquilo que ele nos oferece sobre Proust é dispensável. Assim, quando abrimos o livro e nos deparamos com sua primeira frase: "A equação proustiana nunca é simples.", é como se um admirável mundo novo desabrochasse a nossa frente. [início: 13/07/2014 - fim: 03/11/2014] "Proust", Samuel Beckett, tradução de Arthur Nestrovski, São Paulo: editora Cosac & Natify, 1a. edição (2003), brochura 13x20 cm., 104 págs., ISBN: 978-85-7503-187-2 [edição original: Proust (London: Chatto & Windus (the Dolphin Books) 1931, primeira edição em português: (Porto Alegre: LP&M) 1986]

    3 curtidas

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    4.4 / 44
    • 5 estrelas55%
    • 4 estrelas30%
    • 3 estrelas16%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
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    Samuel Beckett

    Samuel Beckett é considerado um dos principais autores do século 20. Sua obra foi traduzida para mais de trinta idiomas. Beckett nasceu numa família burguesa e protestante, e em 1927 graduou-se em literatura no Trinity College de Dublin, onde estudou também italiano e francês. Em 1928, foi lecionar em Paris, onde conheceu James Joyce, de quem se tornou amigo. Durante o ano de 1930 Beckett lecionou na Irlanda. Nessa época escreveu o estudo crítico "Proust", comentando a obra do grande escritor francês. No ano seguinte Samuel Beckett fixou residência em Paris e escreveu a sua primeira novela, "Dream of Fair to Middling Women", que seria publicada somente depois de sua morte. Em 1933, voltou a Dublin, por motivos familiares, mas retornou a Paris em 1938. Nessa época, levou, de um estranho, uma facada no peito e ficou gravemente ferido. No início da Segunda Guerra Mundial, Beckett vinculou-se à Resistência Francesa, juntamente com sua esposa, Suzanne Deschevaux-Dusmenoil. Em 1942 foi obrigado a fugir para Vichy, onde escreveu parte da novela "Watt". A partir de 1945, o seu idioma literário passou a ser o francês. Entre 1951 e 1953 escreveu uma trilogia ("Molloy", "Malone Morre" e "L'Innommable"), cujo tema é a solidão do homem. Com "Esperando Godot", Beckett iniciou, ao mesmo tempo que Ionesco, o teatro do absurdo. Posteriormente ainda escreveu, além de algumas obras narrativas, diversas peças teatrais, como "Fim de Festa", "Ato sem Palavras" e "Os Dias Felizes". Em 1969, Beckett ganhou o Prêmio Nobel de Literatura. Durante a vida escreveu poemas e textos em prosa, como romances, novelas, contos e ensaios, além de textos para o teatro, o cinema, o rádio e a televisão. Samuel Beckett morreu em 1989, cinco meses depois de sua esposa. Foi enterrado no cemitério de Montparnasse.

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    Samuel Beckett