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    Ressurreição -

    Machado de Assis

    Garnier Itatiaia
    2006
    177 páginas
    5h 54m
    ISBN-10: 8571750092
    Português Brasileiro
    3.7
    3162 avaliações
    Leram5669Lendo212Querem1448Relendo7Abandonos80Resenhas347
    Favoritos47Desejados1448Avaliaram3162

    Ressurreição de Machado de Assis. Publicado em 1872, na fase final do romantismo brasileiro, Primeiro livro de Machado não estava em preocupar-se com a análise de temperamentos e caracteres, mas em ser o primeiro, pelo menos, que com este só propósito se escrevia entre nós.Trata-se de um amor "perdido" e reencontrado em outra mulher, que acredita-se ser a ressurreição deste amor, grande romance merece ser relido. o Amor,com Amor !

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    Matheus Petris picture
    Matheus Petris11/04/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O bilhete que alcança o espírito

    A crítica, comumente considera Félix como um rascunho de um dos personagens mais famosos da literatura brasileira: “Bentinho”. Se pensarmos nos versos de Shakespeare que inspiram o romance e o próprio Machado cita, “nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com frequência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar”, nos lembraremos (guardada as devidas proporções) de Bentinho. Entretanto, ao contrário dele, Félix não vive um longo casamento semeado pela dúvida e pelos ciúmes, suas paranóias não permitem. Félix, não confia em ninguém, duvida de todos ao seu redor e, até o momento que se apaixona por Lívia, do sentimento do amor. Ela, em um diálogo quase no fim do livro, resume bem isso: “As dúvidas o acompanharão onde quer que nos achemos, porque elas moram eternamente no seu coração.” No apêndice do livro, Machado sintetiza perfeitamente um aspecto central do romance: “Não quis fazer romance de costumes; tentei o esboço de uma situação e o contraste de dois caracteres”. Esses contrastes de que fala, geram vários encontros e desencontros. No entrechoque de algumas personagens, se pavimenta o caminho de outras. Pensemos, primeiro, no antagonismo dos irmãos: Lívia e Viana. De personalidades e objetivos completamente diversos, possuem em algum nível, uma relação com Félix. E ambos, de certo modo, se auxiliam nessas relações. Já, no entrechoque das duas enamoradas por Félix, Raquel e Lívia, encontraremos as respostas para o coração e as pedras sendo cuidadosamente postas para chegarmos ao final da narrativa. Na colisão de Meneses e Félix, se estabelece uma amizade e uma mudança, fazendo com que Félix se arrependa e mude de opinião. Félix, que não crê na sinceridade dos outros (palavras dele), quer acreditar na sua própria. Essas oposições que menciono são curiosas. Félix e Meneses, Lívia e Raquel, são oponentes, mas se comprazem, se apoiam. Mesmo que possuam objetivos claros e individuais, se acolhem. Enquanto Lívia é uma mulher madura, com um filho, Raquel é uma moça pueril e ingênua. E estas características, geram anseios uma na outra. Sendo assim, não são apenas “duas personagens” que são contrastadas, mas várias. Existe uma semente que é lançada nesses embates em dois momentos da narrativa, e essas sementes são plantadas através de um bilhete. Em ambos, não apenas germinam, como geram uma multiplicidade do derramamento romântico e assaz doloroso da trama. Em um deles, a abertura da alma pelas linhas, um sentimento sincero e puro. Já no outro, um perfídia, uma jogada maléfica. Todavia, o xeque-mate sofrido por Félix, talvez, só venha a reavivar as profundezas de sua total falta de confiança no outro. Se, procura se isolar para fugir dos outros e se encontrar consigo, é por ser a única saída para um cético inveterado e infeliz, que escolhendo duvidar, deixou de abraçar aquilo que poderia ter lhe confortado.

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    Joaquim Maria Machado de Assis profile picture

    Joaquim Maria Machado de Assis

    Joaquim Maria Machado de Assis, jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 21 de junho de 1839, e faleceu também no Rio de Janeiro, em 29 de setembro de 1908. É o fundador da Cadeira nº. 23 da Academia Brasileira de Letras. Velho amigo e admirador de José de Alencar, que morrera cerca de vinte anos antes da fundação da ABL, era natural que Machado escolhesse o nome do autor de O Guarani para seu patrono. Ocupou por mais de dez anos a presidência da Academia, que passou a ser chamada também de Casa de Machado de Assis. Filho do operário Francisco José de Assis e de Maria Leopoldina Machado de Assis, perdeu a mãe muito cedo, pouco mais se conhecendo de sua infância e início da adolescência.

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    Rio de Janeiro, Brasil

    Joaquim Maria Machado de Assis