A revista tem vários artigos na temática negritude, abordando sociologia, antropologia, filosofia, política, biografias e artes em termos gerais. Cheguei a ela através do texto de Jean Carlos Ferreira Santos (o único que li na íntegra) que disserta sobre a importância literária de Carolina Maria de Jesus.
"Saber, beleza e arte em Carolina Maria de Jesus" - Texto de fácil assimilação, sem rebuscamentos dissertativos, basicamente descrevendo a característica da obra de Carolina e razões de sua importância na literatura brasileira. O destaque está na obra em que se insere como personagem, não uma observadora ou estudiosa do contexto, transmitindo com veracidade impactante realidade que o autor chamou de drama da carne. Nada mais que a angústia da fome, da dor solitária, do desamparo, da discriminação, em lutas diárias pela própria sobrevivência e dos filhos. Esse grau de revelação e caracterização autoral não eram comuns na literatura nacional, exatamente porque as pessoas simples eram discriminadas. O livro dá voz a estas, sendo Carolina pobre, negra, favelada e semialfabetizada. É como se o contexto de Canudos, num paralelo para percepção, fosse descrito por um dos sertanejos seguidores do Conselheiro, na visão de mundo de sua realidade cotidiana. É o que o texto enfatiza.
Apesar de não ter lido na íntegra, vou deixar em registro também o artigo "Literatura Afro-Brasileira: algumas reflexões" (de Florentina Souza), que analisa a presença, influência, projeção e realidade de autores e obras de origem afro-brasileira na literatura nacional.
O que não gostei, registre-se que é uma das edições pioneiras da revista, foi a identidade visual pouco instigante e modesta, na estética, diagramação e ilustrações.