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    Obra Poética Completa - Primeiros Cantos; Segundos Cantos; Novos Cantos; Sextilhas de Frei Antão; Últimos Cantos; Os Timbiras; Outras Poesias; Poesia Póstuma

    Gonçalves Dias

    DC
    2019
    793 páginas
    1d 2h 26m
    ISBN-10: B0141XZI7G
    Português Brasileiro
    3.9
    7 avaliações
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    No quarto volume da coleção 'Poetas Completos' o leitor encontrará reunida toda a obra poética de Gonçalves Dias revisada conforme o novo acordo ortográfico e organizada com índice ativo NCX, de fácil navegação. São poemas como 'Canção do Exílio' e 'I-Juca-Pirama', todas as edições de seus 'Cantos', a obra póstuma e mais. O volume traz também como introdução uma análise da vida e obra de Gonçalves Dias assinada por José Veríssimo, autor de 'História da Literatura Brasileira', e inclui: Introdução: 'Gonçalves Dias', por José Veríssimo I. Primeiros Cantos (1846) II. Segundos Cantos (1848) III. Novos Cantos (1857) IV. Sextilhas de Frei Antão (1848) V. Últimos Cantos (1851) VI. Os Timbiras (1857) VII. Outras Poesias (1869) VIII. Poesia Póstuma (1844-1864)

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    Pablo Pax30/06/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O GIGANTE e primeiro Poeta nacional

    O Gigante e primeiro Poeta nacional Que poesias bonitas a deste autor e não é à toa que é considerado o primeiro poeta nacional. Muitos destes poemas, eu os li cantando, como se fossem uma letra de Vinícius de Moraes e Chico Buarque. Suas rimas são muito ricas: rimar adjetivo com substantivo, adjetivo com advérbio, advérbio com substantivo não é para qualquer um. Dos oito livros, um deles póstumo, quatro deles têm no título a palavra 'Cantos' e lê-lo é também passear pelas transformações da nossa língua portuguesa falada e escrita no Brasil e em Portugal, já que Gonçalves Dias foi uma ponte entre o 'luso' e o 'brasilo'. Gonçalves Dias (1823-1864) foi, até onde sabemos, o primeiro poeta que as pessoas sabiam de cor muitos trechos de sua poesia: 'Minha terra tem palmeiras/ Onde canta o Sabiá; (...) Minha terra tem primores/ Que tais não encontro eu cá (...) Não permita Deus que eu morra/Sem que eu volte para lá', versos que pertencem ao famoso 'Canção do Exílio' são os que perduram até hoje, mas em sua época, pessoas analfabetas, o recitavam de ouvido. Por exemplo, esses malucos da atual extrema-direita que adoram recitar que 'o gigante acordou' mal sabem que sua origem está no 'Gigante de Pedra', poema escrito a partir da mitologia indígena. É que herdaram mais o analfabetismo do século XIX do que as tradições que dizem prezar ou defender... Aprendemos que é um poeta romântico, mas a coisa mais prazerosa de se ler as 'obras completas' de um autor é que o leitor percebe ser difícil encaixar qualquer escritor num determinado e único estilo ou escola. Na verdade, além do nacionalismo e do indigenismo, seus temas são variados: amor, amizade, festas, a observação da natureza (como um beija-flor ou a transformação da lagarta em borboleta), ciúmes, pobreza, romance em versos, poemas dedicados a contemporâneos ou familiares, etc., e até a guerra do Paraguai (ele morreu cerca de um mês após o seu início). Contudo, o que me chamou atenção é que há nele uma forte influência cristã, católica especialmente, porém não um cristianismo todo amoroso, mas aquele Cristo que veio trazer 'não a paz, mas a espada', como lemos em Matheus versículo alguma coisa, e que serviu para que a Igreja Católica justificasse as Cruzadas, a Contrarreforma e a escravidão e que, atualmente, servem aos evangélicos para justificar a sua intolerância e projeto de poder. Isso é nítido em muitos poemas, como as 'Sextilhas de Frei Antão' (1848), nos quais o poeta não pensa duas vezes em conspurcar e desonrar o islamismo. Fosse hoje, das duas, uma: ou ele seria amaldiçoado e condenado à morte por fanáticos religiosos ao mesmo tempo em que admirado pela crítica, como acontece com Salman Rushdie; ou admirado por fanáticos nacionalistas ao mesmo tempo em que desprezado pela crítica, como acontece com Michel Houellebecq. Resumo: um autor muito rico, complexo e difícil de classificar como estes dois contemporâneos que acabei de citar. Termino com um poema, um dos mais bonitos, que citei acima, 'O Gigante de Pedra', publicado no livro 'Últimos Cantos' (1851), só para dar um gostinho. Tu até podes não gostar deste poema (com algumas palavras estranhas para a nossa língua do século XXI), mas senão vires beleza nem sentir sua musicalidade, desista da poesia. Já dizia o grande mestre: não se pode jogar pérolas aos porcos. O GIGANTE DE PEDRA O guerriers! ne laissez pas ma dépouille au corbeau! Ensevelissez-moi parmi des monts sublimes, Afin que l'étranger cherche, en voyant leurs cimes, Quelle montagne est mon tombeau! V. Hugo Le Géant. I Gigante orgulhoso, de fero semblante, Num leito de pedra lá jaz a dormir! Em duro granito repousa o gigante, Que os raios somente puderam fundir. Dormido atalaia no serro empinado Devera cuidoso, sanhudo velar; O raio passando o deixou fulminado, E à aurora, que surge, não há de acordar! Co'os braços no peito cruzados nervosos, Mais alto que as nuvens, os céus a encarar, Seu corpo se estende por montes fragosos, Seus pés sobranceiros se elevam do mar! De lavas ardentes seus membros fundidos Avultam imensos: só Deus poderá Rebelde lançá-lo dos montes erguidos, Curvados ao peso, que sobre lhe 'stá. E o céu, e as estrelas e os astros fulgentes São velas, são tochas, são vivos brandões, E o branco sudário são névoas algentes, E o crepe, que o cobre, são negros bulcões. Da noite, que surge, no manto fagueiro Quis Deus que se erguesse, de junto a seus pés, A cruz sempre viva do sol no cruzeiro, Deitada nos braços do eterno Moisés. Perfumam-no odores que as flores exalam, Bafejam-no carmes de um hino de amor Dos homens, dos brutos, das nuvens que estalam, Dos ventos que rugem, do mar em furor. E lá na montanha, deitado dormido Campeia o gigante, — nem pode acordar! Cruzados os braços de ferro fundido, A fronte nas nuvens, os pés sobre o mar! II Banha o sol os horizontes, Trepa os castelos dos céus, Aclara serras e fontes, Vigia os domínios seus: Já descai p'ra o ocidente, E em globo de fogo ardente Vai-se no mar esconder; E lá campeia o gigante, Sem destorcer o semblante, Imóvel, mudo, a jazer! Vem a noite após o dia, Vem o silêncio, o frescor, E a brisa leve e macia, Que lhe suspira ao redor; E da noite entre os negrores, Das estrelas os fulgores Brilham na face do mar: Brilha a lua cintilante, E sempre mudo o gigante, Imóvel, sem acordar! Depois outro sol desponta, E outra noite também, Outra lua que aos céus monta, Outro sol que após lhe vem: Após um dia outro dia, Noite após noite sombria, Após a luz o bulcão, E sempre o duro gigante, Imóvel, mudo, constante Na calma e na cerração! Corre o tempo fugidio, Vem das águas a estação, Após ela o quente estio; E na calma do verão Crescem folhas, vingam flores, Entre galas e verdores Sazonam-se frutos mil; Cobrem-se os prados de relva, Murmura o vento na selva, Azulam-se os céus de anil! Tornam prados a despir-se, Tornam flores a murchar, Tornam de novo a vestir-se, Tornam depois a secar; E como gota filtrada De uma abóbada escavada Sempre, incessante a cair, Tombam as horas e os dias, Como fantasmas, sombrias, Nos abismos do porvir! E no féretro de montes Inconcusso, imóvel, fito, Escurece os horizontes O gigante de granito. Com soberba indiferença Sente extinta a antiga crença Dos Tamoios, dos Pajés; Nem vê que duras desgraças, Que lutas de novas raças Se lhe atropelam aos pés! III E lá na montanha deitado dormido Campeia o gigante! — nem pode acordar! Cruzados os braços de ferro fundido, A fronte nas nuvens, e os pés sobre o mar!... IV Viu primeiro os íncolas Robustos, das florestas, Batendo os arcos rígidos, Traçando homéreas festas, À luz dos fogos rútilos, Aos sons do murmuré! E em Guanabara esplêndida As danças dos guerreiros, E o guau cadente e vário Dos moços prazenteiros, E os cantos da vitória Tangidos no boré. E das igaras côncavas A frota aparelhada, Vistosa e formosíssima Cortando a undosa estrada, Sabendo, mas que frágeis, Os ventos contrastar: E a caça leda e rápida Por serras, por devesas, E os cantos da janúbia Junto às lenhas acesas, Quando o tapuia mísero Seus feitos vai narrar! E o germe da discórdia Crescendo em duras brigas, Ceifando os brios rústicos Das tribos sempre amigas, - Tamoi a raça antígua, Feroz Tupinambá. Lá vai a gente impróvida, Nação vencida, imbele, Buscando as matas ínvias, Donde outra tribo a expele; Jaz o pajé sem glória, Sem glória o maracá. Depois em naus flamívomas Um troço ardido e forte, Cobrindo os campos úmidos De fumo, e sangue, e morte, Traz dos reparos hórridos D'altíssimo pavês: E do sangrento pélago Em míseras ruínas Surgir galhardas, límpidas As portuguesas quinas, Murchos os lises cândidos Do impróvido gaulês! V Mudaram-se os tempos e a face da terra, Cidades alastram o antigo paul; Mas inda o gigante, que dorme na serra, Se abraça ao imenso cruzeiro do sul. Nas duras montanhas os membros gelados, Talhados a golpes de ignoto buril, Descansa, ó gigante, que encerras os fados, Que os términos guardas do vasto Brasil. Porém se algum dia fortuna inconstante Puder-nos a crença e a pátria acabar, Arroja-te às ondas, o duro gigante, Inunda estes montes, desloca este mar!

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    Antônio Gonçalves Dias

    Poeta e teatrólogo brasileiro. Sua obra pode ser enquadrada no Romantismo. Procurou formar um sentimento nacionalista ao incorporar assuntos, povos e paisagens brasileiras na literatura nacional. Ao lado de José de Alencar, desenvolveu o Indianismo. Por sua importância na história da literatura brasileira, podemos dizer que Gonçalves Dias incorporou uma ideia de Brasil à literatura nacional.

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    Maranhão, Brasil

    Antônio Gonçalves Dias