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    Gramáticas do Erotismo - A feminilidade e as suas formas

    Joel Birman

    Civilização Brasileira
    2001
    254 páginas
    8h 28m
    ISBN-10: 8520005691
    Português Brasileiro
    4.3
    26 avaliações
    Leram40Lendo8Querem115Relendo0Abandonos0Resenhas1
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    O autor realiza uma leitura sistemática do conceito de feminilidade e de sexualidade feminina em psicanálise, percorrendo as diferentes linhas de desenvolvimento encontradas no discurso freudiano. Birman busca compreender o sujeito nas suas dimensões histórica, política e social, mostrando justamente as ambigüidades que permearam o discurso freudiano e deslocarndo os padrões habituais de interpretação desse mesmo texto sobre o feminino. A obra constrói um novo roteiro para a leitura de Freud. Nele, os avanços e recuos efetivamente encontrados nas formulações freudianas sobre a feminilidade deixam de ser tomados como inconsistências teóricas ou arcaísmos datados. Na realidade, eles testemunham sua relação complexa - de assimilação e resistência - com os horizontes teóricos de seu tempo. Desta perspectiva surge a originalidade do percurso do autor.

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    Resenhas (1)Ver mais
    @psi.adriana.scarpin picture
    @psi.adriana.scarpin24/09/2018Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Birman é um dos maiores e melhores escritores de psicanálise deste país, muito me espanta que na graduação não tenha sido muito indicado pelos professores, seus livros são aulas para destruir todas as aulas, se o tivesse lido antes não teria implicado tanto com a psicanálise por tanto tempo. Na introdução e primeiro capítulo o autor dá indícios do que se explicará pormenorizadamente por todo o livro. No capítulo dois Birman explica que a hierarquização entre homens e mulheres tomou forma na Grécia antiga com a teoria dos humores, mas que havia um sexo único que mudaria de forma, a divisão dos sexos ocorreu mesmo só em tempos da revolução francesa em que teoricamente todos os cidadãos seriam iguais, ocorrendo aí um colapso na dita inferioridade da mulher. A partir do século XVIII a dita inferioridade feminina foi calcada em questões puramente biológicas. Nos capítulos três e quatro o autor contempla o biopoder e a medicalização do feminino a partir do século XIX, de como as mulheres foram moldadas hierarquicamente à se sujeitarem exclusivamente ao papel de mãe rejeitando a própria sexualidade - incluindo aí terem seus clitóris cirurgicamente removidos. Toda a suposta cientificidade em relação às mulheres no século XIX foi calcada em questões morais presididas pelo cristianismo, qualquer mulher que ousasse sair do papel dona de casa-mãe seria uma anomalia e considerada doente pelos médicos da época - das histéricas às mulheres que viviam sua sexualidade em busca de prazer. Nos capítulos cinco e seis Birman se atem mais detalhadamente como era vista a histeria no século XIX e como posteriormente Freud subverteu todas as questões da anatomoclínica para finalmente encontrar a cicatriz psíquica das histéricas, estas que por meio da linguagem na experiência catártica se viam livres do sintomas. No sétimo capítulo o autor destrincha todas as imensas bobagens sobre a feminilidade dentro da teoria freudiana, desde o monismo fálico até a mulher ser inscrita na subjetivação através da castração. Pudera Freud ter vivido mais dez anos para aprender alguma coisa com a Beauvoir. É no oitavo é último capítulo que Birman traz os detalhes do porque ter escrito esse livro, aqui ele prega uma releitura da feminilidade freudiana, de que esta sim era a questão originária e não o portador do falo e aqui ele se aproxima de Lacan, em que a imperfeição da feminilidade seria a origem psíquica primordial - também próxima da pulsão de morte. Ou seja, não seríamos mais subjugadas ao poder do falo de uma Eva nascida de um Adão e sim seríamos a Lilith primordial.

    5 curtidas

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    4.3 / 26
    • 5 estrelas54%
    • 4 estrelas23%
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    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas0%
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    Joel Birman

    Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Mestre em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Mestre em Saúde Coletiva pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Doutor em Filosofia pela Universidade de São Paulo. Realizou seu Pós-Doutorado em Paris, no Laboratoire de Psichopathologie Fundamentale et Psychanalyse (Université Paris VII). Membro de honra do Espace Analytique, instituição francesa de Psicanálise dirigida por Maud Mannoni e Jöel Dor. Aprovação em Banca para “Directeur d´Étude em Sciences Humaines”, Université Paris VII. Atualmente é professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro onde leciona e é pesquisador no programa de mestrado e doutorado em Teoria Psicanalítica. Professor adjunto do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IMS-UERJ) desde 1986, atuando no mestrado e doutorado em Saúde Coletiva. Pesquisador no Collège International de Philosophie, em Paris. Colabora com várias publicações especializadas, no Brasil e no exterior, e é autor de vários livros. Atua principalmente nos seguintes temas: psicanálise, história e filosofia das ciências e da saúde, feminilidade e sujeito.

    23 Livros
    25 Seguidores
    Espírito Santo, Brasil

    Joel Birman