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    A fúria - E outros contos

    Silvina Ocampo

    Companhia das Letras
    2019
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-13: 9788535932607
    Português Brasileiro
    4
    516 avaliações
    Leram674Lendo90Querem981Relendo1Abandonos30Resenhas78
    Favoritos54Desejados981Avaliaram516

    Os contos de Silvina Ocampo ― monstruosos, insólitos, perturbadores, sinistros, irreais ― são o tesouro mais bem guardado da literatura latino-americana do século XX. Finalmente vemos chegar ao Brasil um livro de Silvina Ocampo, que está entre os escritores mais surpreendentes e intensos do continente. Publicado em 1959, A fúria é considerado “o mais ocampiano” dos livros de Silvina, obra em que a autora encontra sua voz única e inaugura seu universo alucinado. “Nos seus contos há algo que não consigo compreender: um estranho amor por certa crueldade inocente e oblíqua”, escreveu o amigo Jorge Luis Borges. Saídas do que Roberto Bolaño chamou de “uma limpa cozinha literária”, suas histórias misturam elegância e excesso, distanciamento e intensidade, calma e horror. Há a influência macabra que a antiga dona de uma casa exerce na nova inquilina (A casa de açúcar, o conto favorito de Julio Cortázar); adivinhos e premonições (A sibila e Magush); amores loucos (A paciente e o médico); a festa de aniversário de uma jovem paralítica (As fotografias); e uma profusão de crianças malignas, como a que incendeia cruelmente uma amiga no conto que dá título ao livro. Revalorizada com entusiasmo nos últimos anos, a literatura de Silvina Ocampo é singular, complexa, envolvente e nos convida, como poucas, à fantasia e à imaginação. “Eu não conheço outro escritor que capture melhor a magia dos rituais cotidianos, o rosto proibido ou oculto que nossos espelhos não nos mostram.” ― Italo Calvino “Irmã de Victoria Ocampo, esposa de Adolfo Bioy Casares, amiga íntima de Jorge Luis Borges, uma das mulheres mais ricas e extravagantes da Argentina, uma das escritoras mais talentosas e singulares da literatura em espanhol: todos estes títulos não explicam Silvina, não a definem, não servem para entender o seu mistério.” ― Mariana Enriquez “A fúria é uma das reuniões de contos mais intensas da literatura argentina. A primeira leitura deste livro pode suscitar mal-estares, mudanças de ânimo, deslumbramentos. Certas frases e uma ou outra palavra violenta desencadeiam a perplexidade e a inquietude física.” ― Tomás Eloy Martínez

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    Resenhas (78)Ver mais
    Ana Sá picture
    Ana Sá20/12/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Sobre a esquecida no rolê hispano-americano ou uma ode às resenhas do Skoob!

    Cheguei a este livro da argentina Silvina Ocampo (1903-1993) por um caminho inusitado: primeiro, cruzei com a sinopse da biografia da escritora ("A irmã menor", de Mariana Enríquez) e me senti imediatamente atraída! Adquiri a obra, mas em seguida, numa das resenhas do Skoob, esbarrei com um alerta do tipo: "a biografia é ótima, mas eu lamento não ter lido nada da produção ficcional de Ocampo; acho que assim teria aproveitado melhor a leitura de sua história de vida". Pois bem, conselho bom dado é conselho bom recebido! Voltei a colocar a biografia na estante e iniciei a leitura de "A fúria", uma coletânea de pouco mais de trinta contos publicada originalmente em 1959. Como em todo livro que reúne um vasto número de contos, em "A fúria" nem todos os textos são memoráveis, alguns são inclusive descartáveis. Porém, como em todo bom livro de contos, a liga que justifica a coletânea é facilmente percebida: Ocampo é uma escritora do insólito, que (com as suas muitas personagens perturbadas!) vem perturbar a leitora e prendê-la numa zona de desconforto! Relações fraternas e amorosas são tema frequente, sendo quase sempre conduzidas por ou culminando em estranhamento ou espanto: o casal que se muda para uma casa cheia de fantasmas (talvez metafóricos, talvez nem tanto); a esposa-escritora que confunde marido e personagens; o protagonista que faz amizade com um jovem vidente. Também os animais não são esquecidos por Ocampo: a mulher cuja descrição se confunde com a de um cavalo; a corrida de uma lebre que dribla inusitadamente uma matilha. Ou então simplesmente uma mulher presa num porão, nos dando a angústia de não entendermos nem qual é a profissão que ela afirmar ter, nem se ela estará a salvo de um desabamento iminente. Por fim, as ruas de Buenos Aires como cenário, diferentes crianças como personagens e sutis conflitos de classe enriquecem o combo! Quem gosta da literatura fantástica de Cortázar vai se sentir em casa com Ocampo, com a diferença de que em muitos de seus textos encontramos uma dose a mais de ironia, humor ácido e morbidez. Em comum com o autor de "Bestiário" (1951) temos aquela atmosfera de um suspense que não demanda solução porque a graça da narrativa está precisamente naquilo que não deve ser explicado. Aliás, por falar em Cortázar, é por aqui que começou o meu interesse pela biografia da autora. Pertencente à classe média alta, Ocampo não poderia ser mais íntima do cenário literário hispano-americano do qual o autor fazia parte: ela era casada com Adolfo Bioy Casares, foi muito amiga de Borges, e, dizem, chegou a ter uma caótica relação amorosa com Alejandra Pizarnik. Pensa então nessa biografia? Também sua biografia literária não deixa a dever: trata-se de uma autora muito elogiada por nomes como Roberto Bolaño, Italo Calvino, Camus e próprio Cortázar, o que reforça o estranhamento diante de seu apagamento literário quando comparado ao alcance de alguns de seus contemporâneos argentinos. É o mantra: nem todas as mulheres, mas sempre uma mulher esquecida no rolê literário, não é mesmo? Sigo para a leitura da história de vida de Silvina Ocampo agradecida à skoober que sugeriu que sua obra ficcional viesse primeiro. Agora, não mais reproduzirei os erros cometidos pela crítica literária ao colocarem holofotes na vida em detrimento da obra. Tiro da estante a biografia de uma ótima escritora, e não mais a de uma mera amiga de Borges e esposa de Adolfo Bioy Casares.

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    • 4 estrelas43%
    • 3 estrelas26%
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    • 1 estrelas1%
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    Silvina Ocampo

    Silvina Inocencia Ocampo foi uma escritora, contista e poetisa argentina. Seu primeiro livro foi "Viaje olvidado" (1937) e o último foi "Las repeticiones" (que foi publicado postumamente em 2006). Antes de ser famosa como escritora ela tinha se formado como artista plástica em Paris, em 1920.

    33 Livros
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    Silvina Ocampo