Nessa edição, Carolina Maria de Jesus foi convidada pela revista para conhecer favela no Rio de Janeiro e assinar a reportagem com suas considerações.
O cotidiano foi reconhecido em relatos similares aos de 'Quarto de Despejo' (abandono social, fome, carência na educação e saúde...), mas também foi impactante nas características diferenciadas dos morros, que acirram ainda mais as dificuldades.
Alguns recortes:
'...O dono da luz é o Severino Paulo e cobra o bico... Quem pode pagar tem. Quem não pode não tem... Em todas as favelas é o mesmo drama. Os encarregados exploram os outros. Homens com aparência de santo e coração de ferro. Com o que arrecadam vivem como se fossem Lord."
'...Ia galgando com sacrifício, pensando nas mulheres gestantes, que devem encontrar dificuldades naquela ascensão... O cenário de miséria, cada quadro mais pungente que o outro...'
'Dizem que tudo eleva-se para o céu, mas subindo a favela... tinha a impressão que íamos para o purgatório...'
'Quando se olha para os morros do Rio sabe-se que ali há fome. E que os habitantes precisam de escola e assistência humana... porque são brasileiros'.
'Toda cidade que tem favela, tem seu quarto de despejo.'