Ler "AS MINAS DE PRATA", Soberba criação da pena imaginosa rutilante de José de Alencar, é viver no Brasil seiscentista, com seus costumes, sua linguagem, sua gente, seus nobres e plebeus, suas donzelas e mancebos, seus portugueses e espanhóis, sua indumentária característica, seus gibões, seus escarpins, suas liteiras, seus floretes, suas rótulas, seus escravos negros, suas igrejas,suas cavalhadas, seus jesuítas, seus aventureiros, suas felicidades e suas misérias, seus sonhos ambições de riquezas vestidas ao sertão, quando se achava o país sob o domínio espanhol, reinando Filipe III sobre a Espanha e Portugal. Há de tudo nessa obra viva- amores e ódios, anseios e lutas, lealdade e traição, heroísmo e covardia. Empolga leitor, deleitando-o e instruindo-o. Classifica-se o livro na série romances históricos, uma das várias formas do gênero devassadas por Alencar, e que teve em Walter Scott seu iniciador na literatura universal. Alencar escreveu, também, como se sabe, romances mundanos, perfis de mulheres e romances regionais e sociais deixando, em todos os gêneros por éle perlustrados a marca da originalidade e do seu inegável talento criador Como romancista, principalmente, é que José de Alencar avultou em nossa história literária. O seu grande papel foi o de iniciar as formas brasileiras de ficção, com seus quadros e personagens típicos, de que "As Minas de Prata" são um magnifico exemplo. O fulcro desse livro, cujo redor se desenrola o seu interessante enredo, é a célebre história do legendário roteiro das minas de prata de Robério Dias, buscadas em célebres correrias pelos sertões bravios, por valentes aventureiros, através dos anos. "As Minas de Prata" são, sem dúvida, uma das mais belas e admiráveis obras do filho genial do Ceará, dessa terra paradoxal, adusta e fecunda, mão de tantos brasileiros ilustres.








