Nove Novena -

    Osman Lins

    Martins
    1966
    238 páginas
    7h 56m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    "Ao publicar Nove, novena em 1966, Osman Lins tornou-se um dos expoentes da ficção brasileira contemporânea. Neste livro singular, cujos textos não se enquadram num gênero literário específico, o autor tenta desvendar o mundo pela imaginação poética. Nas nove narrativas que, em seu conjunto, encerram uma notável coerência, Osman Lins capta, por diversos ângulos, dramas da existência humana: desencontros, miséria, frustrações, histórias de amor fracassadas, incomunicabilidade entre os seres [...]"Livro central da obra de Osman Lins, Nove, novena prenuncia o romance Avalovara, um dos pontos culminantes da literatura brasileira deste século." Milton Hatoum

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    João Guilherme Gurgel28/03/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Experimentos para leitores calejados

    No Brasil, a regra é clara: se o autor não cai nas graças do academicismo, ou não vira xodó de algum ator da Globo, ou não se torna figurinha carimbada de *obrigatórios pra vestibular*, ele acaba entrando no portal do esquecimento; e isso é terrível. Terrível por uma voz potente como esta, de Osman Lins, ficar restrita há um seleto grupo de admiradores. Muito mais do que a cacofonia, a pluralidade de vozes, eu creio que seu principal tema seja a passagem do tempo; a polifonia é um simples pretexto para marcar uma passagem temporal desconexa, confusa, nem sempre estritamente narrativa; é como se o mais importante fosse adentrar a narrativa, não entender, com exatidão, quem está falando. Somos lentamente sugados por um intenso fluxo de consciência (que se encerra e novamente se inicia na mesma velocidade), - há momentos em que as palavras passam diante aos olhos e nem damos por elas. Meu conto favorito foi O PENTÁGONO DE HAHN, narrativa em que cinco personagens ficam obcecados por uma elefanta de circo; mistura-se passado com presente, tornando-se indistinguível os tempos presentes do pretérito. Eu falo isso em absolutamente todas as minhas resenhas, mas, realmente, essa leitura é bem complicada (eu estava lendo desde o ano passado, em doses homeopáticas, - não sei se foi benéfico). A melhor dica que posso dar é para ler com muita calma, e, de preferência (se este mundo pós-moderno permitir…), leia os contos de uma vez só; reserve um dia inteiro para cada um deles. São dificílimos. Mas bem prazerosos.

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