Livro curto, O cadete e o capitão a princípio parece prometer mais do que pôde realmente entregar. Não é culpa do autor. Como qualquer outra personagem da História, o presidente Jair Bolsonaro só poderá ser realmente julgado daqui a muitos anos, pelas futuras e mais imparciais gerações.
Quanto aos fatos narrados, livro deixa evidente mais uma das muitas hipocrisias do atual herói da direita brasileira. Jair, que nunca escondeu sua simpatia por ditaduras e torturas, agiu como um terrorista - título que dá aos opositores da ditadura - contra a então recente democracia brasileira, planejando com seus colegas explodir bombas para assustar o então Ministro do Exército e foi graças às "brechas" do Estado de Direito que foi absolvido. Obteve um julgamento justo (ou bem favorável), com ampla defesa e com as dúvidas usadas para confirmar sua suposta inocência. Ora, além de agir como um "militante comunista", Bolsonaro apelou para as garantias que os direitos humanos fornecem aos réus. Irônico, não? Fica claro, também, como os militares superiores fizeram de tudo para inocentar o capitão Bolsonaro, na esperança de salvar a honra da própria instituição. Inconscientemente, os ministros do Superior Tribunal Militar estariam criando um "mito" (em ambas acepções políticas atuais) que ocuparia, 31 anos mais tarde, a presidência da República.
Entretanto, o livro peca por não trazer maiores conclusões - mesmo que pessoais do autor - e pelo tamanho, muito pequeno para um assunto tão urgente. Vale a leitura? Certamente! Será, no futuro, mais uma bibliografia dos livros que contarão a atual História.